O tema ganhou destaque após o governo federal editar uma Medida Provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o encerramento das plataformas não elimina os efeitos já provocados pela dependência em jogos.
Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. A projeção apresentada pela pasta é de aumento de outros 104% até 2028.
Vício em bets aumenta demanda por atendimento no SUS
O Ministério da Saúde afirma que os impactos das apostas vão além das perdas financeiras. O transtorno do jogo pode estar associado a ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, perda de controle, conflitos familiares, isolamento social e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.
A pasta também relaciona o problema ao maior consumo de álcool e outras drogas. Para o governo, os efeitos atingem não apenas os apostadores, mas também familiares e pessoas próximas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares”, afirmou Alexandre Padilha.
O ministro também destacou que o Meu SUS Digital disponibiliza um autoteste para que a população avalie os impactos das apostas na própria vida. A plataforma pode direcionar usuários para atendimento em saúde mental quando necessário.
Busca ativa por pessoas com vício em bets
O governo pretende ampliar a identificação de pessoas que apresentam sinais de comportamento problemático relacionado às apostas. A estratégia inclui atendimento remoto e acompanhamento pela rede pública de saúde.
De acordo com Padilha, o objetivo é alcançar também pessoas que não procuram espontaneamente os serviços de saúde. O atendimento pode envolver psicólogos e psiquiatras, além de encaminhamento para a rede presencial, incluindo unidades de saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
O Ministério da Saúde também disponibiliza uma plataforma de autoexclusão, que permite ao usuário solicitar o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Apostas estão associadas a problemas de saúde mental
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, conforme referência da Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira aparece como o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas em situação socioeconômica vulnerável e 150% maior entre jogadores online.
Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Desse total, 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo considerado de risco ou problemático.
Custo das bets para a saúde chega a R$ 30,6 bilhões
Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos de azar e às apostas no Brasil.
Desse total, R$ 30,6 bilhões, quase 79%, estão relacionados à saúde. O cálculo inclui impactos como suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
Apostas online também atingem adolescentes
A exposição às apostas começa cedo. Uma pesquisa realizada em 191 escolas brasileiras, com 1.912 estudantes, mostrou que 20,4% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmaram já ter feito apostas online.
O percentual chega a 49,7% entre os estudantes do 3º ano do ensino médio. O levantamento também identificou que o contato com as bets pode começar aos 11 anos.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% afirmaram não ter procurado ajuda por vergonha. Já entre mulheres que não apostam, 12% relataram impactos provocados pelo jogo de familiares.
.jpeg)

Postar um comentário