Berço político de uma série de lideranças que derrotaram o carlismo na Bahia, entre as quais os ex-governadores da Bahia Jaques Wagner e Rui Costa, o Sindiquímica promoveu nesta sexta-feira (8/5) um debate sobre o papel do Estado e das estatais no desenvolvimento do Brasil e do Nordeste, com as presenças dos pré-candidatos a deputado federal Deyvid Bacelar e Jones Manoel (historiador e youtuber, candidato por Pernambuco), e do pré-candidato a deputado estadual Kléber Rosa. A mediação ficou a cargo do diretor do Sindiquímica Alfredo Santana.
Militante de movimento social há 36 anos, Kléber Rosa abriu o debate discorrendo sobre a necessidade de renovação na política, com estilo, perspectivas e ousadia. “Estamos vivendo um processo de transição no mundo e no Brasil. A nossa geração vai derrotar a extrema direita, mas tendo como perspectiva estratégica a necessidade de saber qual o estado brasileiro que a gente quer. Queremos um projeto de nação que dialogue com a população e que conquiste os corações de cada pessoa”, destacou.
O sindicalista licenciado Deyvid Bacelar, que foi coordenador nacional da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), disse ter orgulho de poder ter sido formado politicamente dentro do Sindiquímica. “O que me atraiu para o movimento sindical foi o meu sonho de transformar o mundo em um lugar melhor para todos. Vimos ontem o presidente Lula nos demonstrar com altivez o que é soberania, ressaltando que o nosso país precisa ser independente, precisa ter poder sobre seu território, sobre seu povo, sobre suas leis”.
Deyvid recordou o pacto que foi feito entre os ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro após o golpe sofrido pela presidente Dilma Rousseff. “Eles entregaram o setor químico e petroquímico para a iniciativa privada, com a privatização da Refinaria Landulpho Alves, da Petrobras Distribuidora, das fábricas de fertilizantes, da área petroquímica”, citou.
“Hoje entendemos que privatizar faz muito mal ao Brasil. A guerra (dos Estados Unidos e Israel contra o Irã) confirmou isso. O diesel sai da refinaria privatizada Acelen por R$6,16, enquanto nas refinarias da Petrobras sai a R$3,83. E isso se reflete em toda a cadeia, com aumento dos preços dos alimentos”, disse Bacelar.
Para Bacelar, é fundamental que o estado brasileiro tenha total controle sobre a sua soberania energética. “Até os Estados Unidos, de economia neoliberal, mantém o setor energético sob controle do estado e das forças armadas”, apontou.
Defendendo a necessidade urgente de a sociedade brasileira participar ativamente da luta pelas reestatizações de refinarias e dos setores de distribuição de combustíveis, Deyvid afirmou que, como o governo Lula é um governo de coalizão, é preciso pressioná-lo à esquerda.
“Se Lula não ganhar essa eleição, a população brasileira está lascada”, frisou.
Aguardado por boa parte de jovens estudantes que lotaram o auditório do Sindiquímica, o pernambucano Jones Manoel, que é influenciador destacado em redes sociais, disse inicialmente que precisa permanecer em Pernambuco por que ainda não existe possibilidade de receber votos de outros estados, como candidato a deputado federal.
“A Bahia e Pernambuco são dois estados protagonistas do Nordeste no processo de reorganização da esquerda brasileira, que precisa voltar a ser radical e crítica, comprometida com o enfrentamento à ordem neoliberal e imperialista”, ressaltou.
Afirmando que o futuro do Brasil passa necessariamente pela Petrobras, Jones disse que não teve a chance de passar no concurso da Petrobras ainda, “mas a gente sabe que a Petrobras tem um papel estratégico em qualquer debate sobre soberania e sobre o futuro do Brasil”.
Para Jones, o Brasil não vai ter futuro enquanto o padrão dominante de organização da economia e poder político for o capitalismo neoliberal.
Traçando um panorama pouco otimista sobre a situação do povo brasileiro, afirmou que o Brasil passa por um processo de desindustrialização e destruição ambiental. “Boa parte dos empregos paga no máximo dois salários mínimos. A situação do país é ruim em absolutamente tudo. É o transporte que é uma tragédia, o emprego ruim, salário baixo, condições de trabalho piorando a cada dia, a saúde e educação cada vez piores. Uma pessoa se cansa mais no trajeto de ida e volta pro trabalho do que no próprio trabalho”.
Jones falou também sobre violência urbana cada vez maior com as facções dominando os bairros e impedindo o encontro entre as pessoas. “Esse negócio de que o Brasil tá muito bem e que a coisa tá maravilhosa, que a economia tá bem mas é o povo que não percebe? Sei não. Se vocês querem ver o presidente Lula eleito, vamos superar essa visão, pois isso não é verdade”.
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