O possível acordo de delação premiada entre o banqueiro Daniel Vorcaro com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) vem deixando a classe política e jurídica tensa. A avaliação é que a colaboração do empresário tem potencial de atingir integrantes do governo Lula, do Congresso Nacional, da cúpula dos partidos do centrão, da oposição e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de outras instâncias do Judiciário. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
De acordo com a publicação, a principal preocupação dos políticos é que as investigações vão ocorrer durante o período de campanha. O temor é que a delação afete a estratégia eleitoral, com denúncias e operações policiais ao longo do pleito.
Membros do Congresso e do Judiciário criticam o que chamam de vazamento seletivo de informações da investigação contra Vorcaro. A avaliação é que as revelações sobre as festas luxuosas do banqueiro, com gastos milionários, atraíram atenção da população, que era conhecida por quem acompanha o mercado financeiro.
Congressistas acreditam que os principais atingidos devem ser os presidentes dos dois maiores partidos do centrão: Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Em conversas com aliados, os dois confirmam as relações pessoais com Vorcaro, mas negam transações financeiras.
No entanto, existe um receio de que um vazamento de fotos e conversas pessoais possam ser exploradas por adversários durante a campanha eleitoral.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também tentam blindar o petista das investigações no Banco Master. A estratégia é usar o discurso de que o governo Lula herdou esquemas da gestão Jair Bolsonaro. Na última quinta-feira (19), ele disse que o caso "é obra, é o ovo da serpente, do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central".
Já políticos da direita e bolsonaristas comemoraram a negociação para a delação. O grupo espera que sejam atingidos apenas nomes do centrão e da esquerda, além de ministros do STF.
No entanto, parte do bolsonarismo avalia que Vorcaro pode tentar poupar as relações com ministros da Corte e entregar apenas políticos.
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