Dias em Foco

 

Durante o período, as ocorrências mais frequentes envolvem queimaduras térmicas decorrentes do manuseio de fogos de artifício, fogueiras, brasas e líquidos ferventes, além de lesões químicas causadas por pólvora e até mesmo traumas oculares. De acordo com a dermatologista Dra. Mauria Bourroul, do Grupo Fleury, há algumas diferenças no que diz respeito aos ferimentos.

As queimaduras leves costumam causar vermelhidão, ardor e dor local, sem bolhas extensas e em área pequena. Por sua vez, uma queimadura que exige atendimento imediato, geralmente apresenta bolhas grandes ou numerosas, além de pele esbranquiçada, acinzentada, escurecida ou endurecida; dor muito intensa ou, paradoxalmente, ausência de dor em áreas profundas, deve ter acompanhamento médico imediato, especialmente se houver acometimento de face, mãos, pés, genitais ou articulações, seja ela causada por queimadura elétrica ou por explosão e que cause sinais de dificuldade para respirar e queimaduras extensas.

Mitos e procedimentos caseiros contra queimaduras

A dermatologista ainda alerta para alguns mitos e procedimentos caseiros utilizados popularmente em queimaduras. Segundo a Dra. Maura, usar pasta de dente, manteiga ou mesmo pó de café nos locais lesionados não é indicado pois podem piorar o ferimento.

É preciso evitar o uso de itens como pasta de dente, manteiga, pó de café, clara de ovo, pomadas sem indicação e outras receitas caseiras, pois elas podem contaminar a ferida e aumentar risco de infecção, além de irritar ainda mais a pele lesionada, dificultar a avaliação médica da profundidade da queimadura, atrasar a cicatrização e aumentar risco de manchas e cicatrizes. O correto é usar apenas água corrente inicialmente e buscar orientação adequada”, destaca a especialista.

Cuidados pós-queimadura

A pele recém-queimada fica muito mais vulnerável à pigmentação irregular, mesmo em dias nublados ou com mormaço.  O primeiro passo é passar por uma avaliação médica e seguir as recomendações indicadas para cada caso. Entre os cuidados essenciais estão evitar a exposição direta ao sol na área lesionada, utilizar roupas que cubram a região afetada e aplicar protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, desde que a pele já esteja fechada e cicatrizada. Também é importante reaplicar o protetor conforme a necessidade e manter a pele sempre hidratada.

Em caso de dúvidas, o melhor caminho é buscar orientação de um médico especialista.

Como evitar queimaduras com fogos e fogueiras durante o São João

As tradicionais fogueiras e os fogos de artifício, símbolos das festas de São João, exigem atenção redobrada para evitar acidentes. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), cerca de 70 mil pessoas são internadas anualmente na rede pública de saúde em decorrência de queimaduras. Especialistas alertam que medidas simples de prevenção podem reduzir os riscos durante as comemorações.

Os acidentes mais frequentes durante o período junino estão relacionados ao contato com fogueiras, brasas, líquidos inflamáveis e fogos de artifício. De acordo com a especialista em qualidade e segurança na assistência dermatológica e preceptora do curso de Enfermagem da Unijorge, Neuma Ramos, as mãos, braços, rosto e pernas estão entre as partes do corpo mais atingidas.

“Além das queimaduras térmicas, que provocam sensação de muito calor e queimação, os fogos de artifício podem causar lesões graves por explosão, atingindo pele, olhos e até provocando amputações em casos mais severos”, explica.

Para aproveitar os festejos juninos com segurança, a orientação é manter distância adequada de fogueiras, supervisionar crianças constantemente e adquirir fogos de artifício apenas em locais autorizados.

Seguir corretamente as instruções de uso dos produtos e respeitar as normas de segurança também são medidas fundamentais para reduzir o risco de queimaduras e outros acidentes durante o São João.

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