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O diretor nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e pré-candidato a deputado federal Deyvid Bacelar criticou duramente o instituto Datafolha por divulgar uma pesquisa eleitoral que deixou de considerar os efeitos devastadores do áudio, divulgado pelo Intercept, em que o candidato Flávio Bolsonaro pede R$134 milhões a Daniel Vorcaro.

“Embora o Instituto tenha feito a ressalva de que a pesquisa foi realizada antes do escândalo, o efeito junto à opinião pública é o de que o candidato bolsonarista permanece empatado com Lula num eventual segundo turno, mesmo após a revelação dos crimes cometidos por ele. Isso é uma fraude. O instituto deveria ter segurado a pesquisa e apresentar um retrato verdadeiro à população, até porque é considerado um instituto sério”, defendeu Bacelar. “O eleitor médio não lê nota de rodapé com a ressalva sobre a data da pesquisa de campo. Ele vê a manchete: 'Flávio empatado com Lula'. É isso que blinda o candidato."

Para o sindicalista licenciado, o resultado da pesquisa será usado pelos bolsonaristas para influenciar artificialmente o eleitor, principalmente porque o Instituto Datafolha desconsiderou um fato novo relevante que muda a intenção de voto. “Todos sabemos do compromisso da grande imprensa, principalmente do Grupo Folha, com as candidaturas de direita e extrema-direita. Se o Datafolha decidiu omitir o crime cometido por Flávio Bolsonaro e soltou essa pesquisa favorável a ele, três dias após o escândalo, o objetivo claro é o de blindar o candidato”, ressalta Bacelar.

Pela jurisprudência do TSE, se a pesquisa de campo foi feita antes do áudio vazar, o resultado reflete a opinião pré-áudio, o que é considerado normal, até porque os institutos não têm dever legal de refazer pesquisa a cada notícia. Na avaliação de Bacelar, no entanto, a divulgação do áudio teve efeito devastador na campanha de Flávio Bolsonaro, por isso deveria ter partido do próprio Datafolha a decisão de não divulgar a pesquisa, que não traz um retrato fiel da opinião do eleitorado.

“Um dos questionamentos que fazemos é se o Datafolha manipulou a data para não pegar essa repercussão, a mando de campanha. Toda pesquisa grande interfere no voto, nós sabemos que o eleitor vota em quem tá ganhando pra não perder voto. Se o Datafolha mostra determinado candidato na frente, parte do eleitorque não gosta desse candidato migra pro 2º colocado pra tentar 2º turno, apostando em um outro com mais capacidade de vencer o seu adversário político. Ou seja: divulgar pesquisa sempre interfere. Por isso que a legislação obriga registro e metodologia. Se sabemos que vai interferir, que interfira com dado real, não inventado”.

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