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O grande tema político na Bahia ao longo da semana pode ter fim já nesta terça-feira: a escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O duelo está restrito a dois velhos conhecidos da Assembleia Legislativa da Bahia, o ex-presidente Marcelo Nilo e um até então discreto deputado, Paulo Rangel. A disputa poderia até ter um terceiro nome, mas a candidatura de Fabrício Falcão foi esvaziada antes mesmo de ser colocada em prática. Tudo pela unidade, desde que haja subserviência ao grupo dominante.

 

Nilo terá a sua grande prova de fogo sobre o futuro na vida pública. Se perder - o que o bolão de aposta paga menos -, pode por fim a uma carreira que "começou como estagiário da Embasa", como o próprio ressalta, e terminou com uma derrota articulada por um "amigo", como ele gosta de chamar o ex-governador Jaques Wagner. Afinal, por mais que o governador Jerônimo Rodrigues seja a atual face do PT na Bahia, Wagner segue dando cartas mesmo que não apareça por isso. Partiu do grupo liderado por ele a ideia de indicar Rangel ao TCM, passando até pela negociação de abrir mão da candidatura petista em Salvador.

 

Foi um preço baixo a ser pago, especialmente no contexto de que Geraldo Jr. jogado aos leões é muito mais útil como efeito colateral de ganhar mais uma cadeira na Corte de contas, que seria completamente dominada pelo PT e suas quatro cadeiras. O artífice não é será público e os efeitos serão sentidos no longo prazo, dada a estratégia do carlismo ter se perpetuado por muito mais tempo nesses espaços do que no Executivo baiano. É uma cópia renovada e remasterizada dessa lógica e o Galego entende mais disso do que qualquer um outro.
Rangel é um peão que vai jogar o jogo para poder ganhar um cargo vitalício e empregar assessores sem a fiscalização que enfrentaria na Assembleia. Além do espaço para a eterna troca de postos entre aliados, que, convenhamos, acontece desde que o mundo é mundo. O PT tende a ser majoritário no embate pelo TCM, ainda que os comunistas façam muxoxo e digam que não vão votar: teria um efeito político mais prático se o choque de realidade colocasse Nilo no posto, diminuindo a ascendência e o protagonismo do PT na cena baiana.

 

O azarão Nilo não é uma figura pequena e aposta no voto secreto para não sair derrotado. Ao longo dos últimos meses, cobrou faturas e favores da época em que presidiu por 10 anos a Assembleia e deu cartas com uma caneta com menos tinta, mas bem simbólica para quem conhece o ego de parlamentares. Dificilmente ele sairá vencedor, mas, se conseguir, aplicará uma derrota ao petismo baiano que, pelo menos desde 2006, só acumula vitórias e vitórias. O ex-presidente que outrora foi Golias e acabou derrotado pelas circunstâncias da vida, poderia então renascer como David. É isso ou um fragoroso adeus à arena política.

 

O TCM não é um campo de batalha como estamos acostumados a acompanhar no dia a dia dos poderes. Muitas vezes, tal qual o Tribunal de Contas do Estado, passa despercebido da esfera pública. Por isso, há tanto interesse da classe política neles. Dá pra fazer política sem ter mandato e sem ser notado. Ganhe Nilo ou Rangel, saibamos que, para o restante da população, poucos vão se importar. Já os envolvidos terão muito a perder com qualquer derrota.

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