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Dia Mundial da Luta Contra a Aids: Infectologista reforça importância do diagnóstico precoce da doença

 



“Eu acho que o Dia Internacional do Combate à Aids é super importante para a gente voltar a tratar do tema, porque com a pandemia da Covid-19, as outras doenças sumiram dos comentários das pessoas, e a Aids é uma doença que precisa ser falada. Na verdade, a Aids é uma pandemia também, só que é uma pandemia de uma doença que não é aguda, como a Covid-19”, afirmou a infectologista. “No ano passado nós tivemos 3.560 casos novos, esse ano já estamos com 3.360, e olhe que com a dificuldade de se fazer diagnóstico, porque a gente sabe que as pessoas pararam de procurar os centros de saúde”, conta.

De acordo com a infectologista, o diagnóstico precoce da Aids é um dos fatores mais importantes para o combate à doença. “O que a gente tem visto no Couto Maia são muitas infecções diagnosticadas recentes, mas com as pessoas já com a Aids em estágio avançado. Então, isso a gente precisa falar, porque o diagnóstico precoce dessa doença é extremamente importante para iniciar o tratamento, para as pessoas não desenvolverem Aids e também as pessoas que se tratam adequadamente não transmitem o vírus, isso é super importante”, relata.

Diagnóstico e tratamento

Para Ceuci Nunes, é necessário incentivar todas as pessoas que têm uma vida sexual ativa a realizarem exames para conseguir o diagnóstico precoce da doença. “As pessoas que têm vida social ativa devem fazer o teste de HIV uma vez no ano, porque se você diagnostica rapidamente, precocemente, o tratamento impede o desenvolvimento da doença e impede a transmissão”, garantiu. “Um avanço significativo ocorreu no tratamento. Quando a gente começou a tratar a Aids, na década de 80, as pessoas tomavam 23 pílulas, 19 pílulas por dia. Hoje, a gente tem um tratamento eficaz, com duas pílulas por dia”, emendou.

A infectologista aponta ainda o avanço dos efeitos adversos dos medicamentos utilizados no tratamento do HIV e da Aids. “É um tratamento muito bom, que dá muito pouco efeito colateral, poucas reações, e que não dão alterações como os outros tratamentos davam a longo prazo, de você ter deformidades, de você ter um emagrecimento em determinadas áreas, e gordura localizada em outras áreas. Não dá alteração de colesterol, de triglicerídeos, como os outros tratamentos davam, e tem uma barreira para resistência do vírus grande, então é um tratamento muito bom que a gente tem na primeira linha, no Sistema Único de Saúde (SUS), no programa de Aids”, conta.

PReP e PEP

Durante a entrevista ao BNews, Ceuci Nunes apontou ainda a diferença entre os medicamentos de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), e Profilaxia Pós-Exposição (PEP), ambos utilizados na prevenção ao vírus HIV, causador da Aids. “Todos dois são tratamentos pré-profiláticos, para as pessoas que não têm HIV. Só que o PEP, ele é pós-exposição. Então, se você tem um acidente com um material biológico de um paciente, no caso dos profissionais de saúde, se você teve uma relação sexual de risco, ou que o preservativo furou, aí você pode tomar o PEP. Você toma esse remédio, vai ser avaliado, fazer o exame, porque tem que afastar que você esteja com HIV também, e fazer esse tratamento por quatro semanas”, explica a infectologista.

“O PrEP, é diferente. São para as pessoas que têm um comportamento de risco, que têm uma vida sexual que tem relação com várias pessoas, por exemplo. E aí você toma uma pílula, pode ser até mais prolongado, não tem tempo, como a PEP, e você toma até passar esse seu momento de risco, e também tem que ser avaliado pelo médico, mas os dois tratamentos são importantes”, acrescentou.

Diferença entre HIV e Aids

A médica abordou ainda os fatores que diferenciam o vírus HIV da Aids, que costumam ser confundidos, e até mesmo igualados, na sociedade. “O HIV é o vírus que vai levar a uma alteração grande do sistema imunológico, que vai levar à Aids. Então, a pessoa pode ser portadora do HIV e não tem a Aids. Quem tem a Aids é quem tem o vírus, já por um período prolongado, que já está com o sistema imunológico debilitado, que tem doenças oportunistas. Todos dois tratam. O mesmo portador do vírus vai tratar para evitar transmitir, e para evitar evoluir para a Aids. E a pessoa mesmo que já esteja com a Aids, ela tem tratamento e pode melhorar”, afirmou Ceuci.

Cura

Embora tenham sido identificados recorrentes avanços no tratamento da doença, de acordo com a infectologista, até o momento, não existe cura para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. “A gente não tem uma perspectiva a curto, nem médio prazo, de ter uma cura, até porque os casos de cura que já aconteceram, as pessoas voltaram a detectar o HIV depois. Os dois casos de cura mesmo, foram pessoas que fizeram transplante de medula óssea e utilizaram o material de uma pessoa que tem uma resistência inata ao vírus, o que é uma coisa extremamente rara”, relatou.

Luta contra a Aids

Ceuci Nunes definiu ainda quais são os fatores de extrema importância para a conscientização do combate à doença. “Eu acho que tem dois aspectos que são importantes. Um, é você fazer o tratamento, evitar que a pessoa adoeça, e evitar que a pessoa transmita, mas tem ainda uma outra abordagem, que é a questão do preconceito. Ainda é uma doença muito estigmatizada. Às vezes, as pessoas deixam de frequentar o sistema de saúde por ser alvo de preconceito, elas não contam que têm a doença para ninguém por causa do preconceito, então eu acho que essa parte do preconceito também precisa desaparecer. A gente precisa tratar com mais humanidade essas pessoas”, concluiu, ao BNews.

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