“Nós fizemos o que foi possível ser feito. A polícia fechou centenas de festas e aglomerações no período do natal e réveillon. Em várias localidades, a própria comunidade fez o seu papel de denunciar e contestar síndicos de condomínio. Nós tivemos um envolvimento muito colaborativo da sociedade, mas isso não foi suficiente para impedir as milhares aglomerações que aconteceram”.

“A consequência acontecerá daqui a uma semana, 10, 15 dias, quando nós deveremos ver aumentar os números de casos novos por dia, que vinha já em estabilização e decréscimo”.

O secretário de Saúde falou ainda sobre os picos de cerca de cinco mil casos registrados nas últimas semanas. Segundo ele, esses números podem voltar a aparecer, já que há um represamento dos dados de infectados por causa dos recessos dos laboratórios.

“Esses casos que nós estamos vendo ao longo das últimas semanas, eles estão artificialmente reduzidos em função dos feriados prolongados de natal e réveillon. As equipes de vigilância do interior entram em recesso e param de notificar. Então, nós vamos ter, ao longo dessa primeira semana e da próxima, além de uma notificação do que ficou represado, o acréscimo natural que estamos esperando, em função das aglomerações”.

Hoje, a taxa de ocupação dos leitos de UTI na Bahia giram em torno de 80 a 83%, de acordo com Vilas-Boas. Alguns leitos ainda serão reabertos pelo estado, mas a previsão é de que o percentual se mantenha com a chegada de novos casos.

“Temos a carta na manga, aqui em Salvador, que é o hospital de campanha da Fonte Nova, que continua fechado. Caso venha a acontecer um aumento desproporcional, nós temos a possibilidade de reativar aquela unidade. O limite de reabertura de leitos ele é mais evidente no interior. No interior, a gente não tem como abrir leitos, não existem leitos. Aqui em Salvador eu tenho uma margem aí grande de operacionalização. E, na pior das hipóteses, eu consigo reverter UTIs não Covid para UTIs Covid”.

No interior, isso realmente preocupa, se ultrapassar a capacidade instalada hoje, a gente vai ter que avançar para os leitos não Covid e impactar na atenção normal ao fluxo de pacientes vítimas de acidentes e outras coisas. Aí sim, nós vamos ter que fechar o estado em regiões onde não houver mais capacidade de absorção da rede hospitalar”, complementou ele.

Por enquanto, a rede de saúde trabalha com o índice percentual de 90%, antes que o governo do estado e as prefeituras precisem adotar medidas mais rígidas para conter o avanço da Covid-19.

“Nós trabalhamos com o limite de saturação de 90%. Se os leitos começaram a se manter, sustentadamente próximo a 90% – que para nós da área médica é o que equivale a 100% –, aí nós vamos ter que sentar com os prefeitos daquela região e adotar medidas sistematicamente como fizemos no decorrer da pandemia: fazer fechamento de comércio, toque de recolher à noite, para poder reduzir a transmissão. O número é esse”, explicou.