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New York Times retrata Salvador pelas lentes de fotógrafa canadense que viveu na cidade

 

New York Times retrata Salvador pelas lentes de fotógrafa canadense que viveu na cidade
Foto: Reprodução / The New York Times

Salvador foi retratada pelas lentes da fotojornalista canadese Stephanie Foden em uma série do The New York Times. A iniciativa, segundo o jornal, tem o propósito de transportar o leitor a “alguns dos lugares mais bonitos e intrigantes de nosso planeta”. Nesta semana, a fotógrafa canadense, que viveu na capital baiana por cerca de cinco anos, conta sua experiência e suas impressões através de fotografias e relatos (clique aqui e confira o material), destacando o encantamento pela cidade após romper preconceitos e o medo diante das advertências sobre a criminalidade.

 

“A primeira vez que disse a alguém que estava viajando para Salvador, fui desencorajada. Eu estava indo para o Sul ao longo da costa, quando uma brasileira com quem fiz amizade em uma pousada me falou sobre a criminalidade e como eu seria roubada”, conta Stephanie, que apesar do aviso. “Como uma mochileira solo ingênua de 22 anos, eu não era o tipo de pessoa que muda os planos com base no conselho de uma pessoa. Pelo que li sobre a região, era vibrante e diferente de qualquer outra parte do Brasil. Mas quando cheguei ao meu albergue no Pelourinho, centro histórico colorido de Salvador e Patrimônio Mundial da UNESCO, continuei a ouvir avisos de que a cidade não era segura”, relata.

 

A fotógrafa, que disse ter o costume de explorar os lugares novos onde vai, ficou impressionada pela quantidade de “áreas proibidas” e disse ter tido dificuldade de relaxar para apreciar a cidade, mas rompeu o medo e os preconceitos após encontrar um ótimo anfitrião. “No dia seguinte, conheci um brasileiro peculiar com uma profunda paixão pelo estado da Bahia e pelo resto do nordeste do Brasil. Foi revigorante ouvir sobre sua versão de Salvador. Tornamo-nos amigos rapidamente e ele se tornou meu guia, mostrando-me toda a cidade. Foi lindo ver o lugar através de seus olhos”, lembra, a canadense que disse ter se apaixonado por Salvador a partir daquele momento. 

 

“Me apaixonei forte, tanto que, antes que eu percebesse, meses se passaram, depois anos. Salvador se tornou minha casa por quase meia década”, conta a fotógrafa, revelando que sempre teve vontade de compartilhar sua visão da cidade que conheceu e amou. “A versão do famoso escritor baiano Jorge Amado: ‘A cidade baiana, negra e religiosa, é quase tão misteriosa quanto o mar verde’”, explica.

 

Stephanie Foden disse que fotografar em Salvador “sempre foi uma alegria” e destacou a abundância de cores, a luz e as pessoas como pontos fortes. “Mesmo em um país tão único culturalmente como o Brasil, o estado da Bahia ainda se destaca para mim como nenhum outro. Existem sons, cheiros, alimentos e música distintos para esta região. Quase a qualquer hora, você pode ouvir tambores nas ruas, sentir o aroma da moqueca (caldeirada feita com leite de coco) ou se deparar com um grupo de capoeiristas (dançarinos da arte marcial afro-brasileira)”, descreve a fotógrafa, que no texto citou ainda questões políticas.

 

“A Bahia também se destacou politicamente: é um dos 11 estados, todos agrupados próximo ao Nordeste do Brasil, que Jair Bolsonaro, o presidente de extrema direita, não ganhou nas eleições de 2018”, pontua.

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