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Campanha eleitoral nas ruas em meio a uma pandemia faz sentido?

Campanha eleitoral nas ruas em meio a uma pandemia faz sentido?
Em Ibitiara, pré-candidato disse que mobilização foi espontânea | Foto: Facebook
Com a proximidade das urnas, será cada vez mais comum vermos a campanha eleitoral tomando conta das ruas, especialmente no interior do estado. Pena que essa cena não deveria acontecer. Por conta da pandemia do novo coronavírus, um decreto estadual proíbe a realização de eventos com mais de 50 pessoas. Mas os candidatos a prefeito e a vereador estão preocupados com isso? Infelizmente, não. O resultado começa a aparecer aos poucos, com os registros feitos pelos adversários para uso político. Naturalizaremos também essa situação?

Os protocolos internacionais para reduzir o contágio do novo coronavírus incluem o distanciamento social. Por aqui, todavia, aconteceu o que o secretário de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador, Sérgio Guanabara, batizou de “lockdown baiano”. Não houve o respeito integral às recomendações das autoridades sanitárias e, mesmo que o número de novos casos não tenha começado a cair, retornamos a uma normalidade possível. A campanha eleitoral só vai acelerar o ritmo de mobilizações em torno de políticos. E o conceito de distanciamento social provavelmente será revisitado.

Não faltam exemplos ruins de como a retomada das aglomerações criou novas ondas de contágio. Países como Itália, Espanha e Inglaterra, após a reabertura, vivenciaram situações similares. No Brasil, enquanto ainda se debate a possibilidade de algumas atividades econômicas serem reabertas, candidatos a prefeito e a vereador passarão a percorrer trecho para tentar angariar votos. Sem qualquer peso na consciência de, eventualmente, transformar atos políticos em disseminadores do coronavírus.

Sem entrar no mérito legal de caminhadas, comícios e afins, é necessário avaliarmos quão moral é lidar com multidões no contexto da pandemia, quando não existem medicamentos ou vacinas disponíveis para tratamento. Um candidato que expõe a população ao risco de contrair uma doença que já causou a morte de mais de 100 mil pessoas no Brasil merece exercer um cargo público? E aquele que realiza atos “secretos”, mas que traz a público quando um adversário realiza o mesmo? Essas perguntas ainda vão ficar algum tempo sem resposta.

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