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"Fui Prefeito de Jequié por um dia e não gostei do que vi!", afirma Hassan Iossef

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Na quinta-feira (18), Hassan Iossef foi empossado prefeito interino de Jequié, após a Câmara Municipal aprovar o afastamento de Sérgio da Gameleira do cargo por 90 dias. Nesta sexta, a Justiça decidiu que Gameleira deve ser reconduzido à prefeitura municipal. Em uma carta enviada à imprensa, Iossef afirmou que em apenas um dia conseguiu fazer um levantamento da situação da cidade e se assustou com o que viu.
Apesar de não ter conseguido fechar o diagnóstico, ele explicou que o débito do município ultrapassa R$ 80 milhões, sem contar os débitos da previdência.
Veja a carta na íntegra:
Fui Prefeito de Jequié por um dia e não gostei do que vi!
Na última quinta-feira, dia 18 de Junho, o então Prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira, foi afastado da função. Como fui eleito pelo povo como vice-prefeito, assumi a Prefeitura e, em 24 horas, consegui, com um trabalho intenso e incansável, fazer um levantamento da situação do município.

Eu e minha equipe passamos a noite toda do dia 18 trabalhando em cima dos relatórios e me assustei muito com o que vi. Não consegui fechar completamente o diagnóstico em tão pouco tempo, mas sei que o débito do município ultrapassa os OITENTA MILHÕES DE REAIS! Isso sem contar com os débitos da previdência. É realmente assustador!

A receita da Prefeitura de Jequié mensal é de cerca de 25 milhões de reais. Pra pagar esse débito mesmo se parássemos completamente a Prefeitura por 3 meses, ainda assim não quitaríamos a dívida.

Para resolvermos essa enorme dívida criada pela gestão precisaríamos, com muita responsabilidade e inteligência estratégica, economizar entre 3 e 4 milhões por mês pra poder pagar essa dívida no menor tempo possível, sem sacrificar muito o nosso povo, e a partir daí administrar com as contas empatadas.

A minha intenção era quitar de imediato a folha salarial do funcionalismo público do mês de maio, que está em aberto, e cortar determinados gastos menos essenciais no momento para começar a administrar o recurso municipal com justiça e responsabilidade, o que não vinha acontecendo. É inadmissível deixar de pagar o salário do trabalhador, que conta com esse dinheiro pra levar o pão pra casa, pra gastar o recurso com ações que podem esperar a situação financeira se equilibrar. O trabalhador não pode esperar. Ele precisa comer, ele precisa pagar a luz, o aluguel. Isso é administrar! Resolver o que é essencial e equilibrar o que não é; cortar gastos desnecessários é essencial, senão a Prefeitura vai à falência total!

Tem fornecedores que estão desde 2018 sem receber! Estamos falando muitas vezes de empresas pequenas que sem esse recurso precisam demitir funcionários, ou até mesmo fechar as portas. A Prefeitura está sendo irresponsável! E quem paga por essa irresponsabilidade, infelizmente, é o povo que mais precisa do auxílio da gestão municipal.

Eu já havia começado a estruturar esse choque de gestão, que se faz urgente, quando fui surpreendido por uma liminar que trouxe de volta Sérgio da Gameleira para a Prefeitura. Estou muito preocupado! E me sinto na obrigação de divulgar a todos a ponta do iceberg que pude detectar. 

Certamente tem muito mais sujeira debaixo do tapete, mas infelizmente não tive tempo suficiente de ter a noção exata do tamanho da sujeira, muito menos de tentar limpar pra podermos começar a retomada de crescimento desse município tão grandioso que não pode de maneira nenhuma se afundar desse jeito. 

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