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Olivença não aceita Centro de Acolhimento para infectados

A notícia de que o primeiro centro de acolhimento para doentes com a Covid-19 será na praia do Back Door, em Olivença, não foi bem recebida pela comunidade local e gerou reação imediata. Nesta terça-feira (12), lideranças da comunidade tiveram uma reunião com o secretário de Saúde, Geraldo Magela, solicitando um reestudo sobre a escolha feita. "Temos uma comunidade que está cumprindo à risca o isolamento social. Olivença registra apenas um caso positivo, de uma profissional da saúde infectada no trabalho. A maior parte de nossa comunidade é formada por idosos e os serviços de saúde são deficientes, caso a gente necessite de ajuda", justificou o empresário Mirandir Júnior, que esteve presente ao encontro.
Questionado pelo site Jornal Bahia Online se, por detrás desta reação, a postura da comunidade poderia ser vista como preconceituosa, o empresário negou. "Deveríamos ter sido consultados antes, não acha?", ressaltou. De acordo com Mirandir, para além do perfil dos moradores da zona urbana da comunidade, Olivença abriga comunidades indígenas da etnia Tupinambá, que merecem cuidados especiais e não podem ficar expostos à contaminação. A liderança Nádia Kawã, da etnia Tupinambá, disse através das redes sociais que não existe sequer uma barreira sanitária para ocorrer um maior controle da situação. A liderança lembra que na década de 30 houve uma tentativa de dizimação do povo tupinambá por uma quarentena. "Os brancos trouxeram muitos infectados para a praia do Cururupe e as roupas contaminadas deles mataram muitos dos nossos ancestrais", lembrou parte da história. O repórter do site tentou comparar o protesto da comunidade de Olivença à postura de parcela da população de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, que criticou - e agiu para impedir - que infectados de Ilhéus pudessem ser transferidos para aquele municípío. Muitos consideraram a negativa como preconceituosa. "Não tem como comparar", reagiu Mirandir. "Conquista é um município de grande porte na Bahia, tem uma estrutura hospitalar fantástica e tinha vaga. Nós somos uma pequena comunidade desassistida, com posto de saúde deficitário, uma farmácia quase sem medicamentos e até uma viatura do Samu para chegar aqui demora mais de uma hora", rebateu. Na reunião com o secretário Geraldo Magela, as lideranças questionaram o crescimento absurdo do número de casos na comunidade. De 1 para 13 em apenas um dia. Eles teriam recebido a informação de que 11 casos foram registrados no Cururupe, região praiana que fica entre Ilhéus e Olivença. De acordo com as informações recebidas, a Secretaria de Saúde teria localizado naquela região, um abrigo clandestino de idosos, com 12 casos positivados. Essa informação jamais foi repassada publicamente pelas autoridades sanitárias de Ilhéus. O site ainda conseguiu apurar que os índios tupinambá articulam um manifesto na Ba-001 para impedir a implantação do centro de acolhimento naquela região

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