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Junta Comercial anuncia que 762 empresas declararam falência na Bahia

A Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB) anunciou que 762 empresas baianas decretaram falência em abril deste ano. A crise é reflexo das medidas restritivas aplicadas por conta da pandemia do Coronavírus.

O superintendente de Atração de Investimento do estado da Bahia, Paulo Guimarães ressalta que, no caso de Salvador, a situação ainda é mais delicada pelo fato da cidade costeira ter sua vocação econômica voltada para o lazer e os serviços. “Quem tem conseguido se manter é quem está se adaptando às estratégias possíveis, mas infelizmente, o pequeno, micro e médio empresário vem amargando uma concorrência desleal com grandes marcas que, geralmente, possuem uma musculatura econômica maior para suportar a queda nas vendas e que consegue oferecer opções mais competitivas nesse momento”, argumenta.

Para Guimarães, mesmo os que conseguem transitar bem em plataformas digitais e estão estruturados com e-commerce, precisarão fazer novos ajustes para um novo padrão de consumo que não se sabe ao certo como vai se comportar. “Em países, como Portugal, onde as medidas restritivas se abrandaram, ainda precisam lidar com o receio da população em sair e voltar a frequentar os espaços físicos”, pondera.

Estratégias de resistência

Para não quebrar e ser forçado a desistir do empreendimento, a orientação do sócio diretor da empresa Consulting, André Torres é focar no cliente, no melhor atendimento, reduzir tudo que puder de custos e buscar estudar e definir um plano específico e detalhado sob medida para seu negócio, avaliando e adaptando rapidamente a cada mudança de cenário. “O empresário precisa buscar recursos financeiros disponíveis e adequados, renegociar contratos. Tendo dificuldade em realizar tudo sozinho, não hesitar em pedir ajuda a profissionais especializados, consultores, advogados etc”, completa.

A representante do Sebrae, Isabel Ribeiro diz que é preciso manter a calma. “É preciso analisar as contas e datas dos vencimentos, negociar com fornecedores e avaliar quais são os impostos e outras obrigações que podem ter o pagamento postergado por meio de medidas governamentais”, diz, lembrando que o Sebrae está auxiliando também os empresários com diversas soluções e consultorias gratuitas.

Para ela, outra forma de amenizar os efeitos é antecipar recebíveis com clientes, inclusive de serviços que ainda não foram realizados, e planejar de forma gradual como será descontado pelos clientes quando as atividades forem normalizadas. “O empresário precisa ter cautela também quanto ao endividamento desnecessário para o futuro próximo, dadas incertezas causadas pela pandemia, assim como controlar entrada e saída de recursos e prazos negociados para o futuro. Isso pode ser feito por meio de uma planilha”, ensina, destacando a importância de reduzir custos e buscar  alternativas como o trabalho remoto e parcerias com possíveis concorrentes.

Suporte imediato

Isabel destaca ainda que o Sebrae, a Caixa Econômica Federal (CEF) disponibilizará até R$ 7,5 bilhões em crédito para capital de giro a micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs). “A operação é viabilizada por meio do aporte de R$ 500 milhões do Sebrae. As garantias complementares serão concedidas por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe)”, explica

André Torres salienta que o Poder Judiciário reduziu atividades e congelou prazos para evitar maiores problemas de saúde nas pessoas e também consolidar situações decisões , sentenças baseadas em fatos anteriores mas inadequadas para esta situação de pandemia e calamidade jamais vivida. “Da mesma forma as empresas, creio que bem orientadas por consultores e advogados, não devem buscar consolidar a falência de forma precipitada e individual, uma vez que o problema está atingindo quase todos e diversos outros caminhos, tais como renegociações, podem ser menos traumáticos”, completa.

Plano estadual 
A Secretaria do Desenvolvimento Econômico(SDE)  e a  Secretaria do Planejamento(Seplan) afirmaram que estão realizando um trabalho conjunto na prospecção, captação e distribuição de doações de empresas, fábricas e indústrias para ajudar no combate ao novo coronavírus na Bahia. Além disso, as duas pastas estão elaborando um estudo sobre o impacto da covid-19 na economia baiana e uma série de apontamentos de ações para a retomada do desenvolvimento econômico, pós pandemia.

A SDE destacou que coletou propostas do setor produtivo(sindicatos, associações e federações), além de bancos de fomento e do Sebrae, para elaborar um plano de ação de apoio aos Micro e Pequenos negócios do Estado. Enquanto o plano de ação é preparado, a SDE lançou na Bahia a ferramenta Fique no Lar, que mapeia e cadastra os pequenos negócios que estão oferecendo serviço de delivery (na capital e no interior) e pode ser usado também como aplicativo de busca pelos consumidores.

A SDE informou ainda que tem dado suporte às Indústrias que pleiteiam produzir materiais hospitalares ou de higiene, necessários ao enfrentamento da pandemia. A atuação institucional vai do suporte à documentação regimental ou em possíveis incentivos, fiscais ou de infraestrutura para a produção dos itens.

Confira abaixo nota enviada na segunda-feira (11) pela SDE:

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE) informa que, de janeiro a abril de 2020, foram abertas 6.985 empresas na Bahia. Os destaques são os segmentos de Comércio e Reparação de Veículos, que representa 39,9% das constituições no período, seguido de Saúde Humana e Serviços Sociais (9,9%) e Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas (7,6%). A Região Metropolitana de Salvador ficou com 32,7% das novas empresas, enquanto no interior ocorreram
67,3% aberturas. Quanto ao tipo jurídico, 45,8% são Sociedade LTDA, 29,3% Empresário e 22% EIRELI. Deste total, 1.074 ocorreram o mês de abril.

Os dados são da Junta Comercial da Bahia (Juceb), autarquia vinculada à SDE. Houve uma queda de 62,5% no número de empresas extintas na Bahia no mês de abril de 2020, em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 762 este
ano, contra 2.032 no ano passado. No que se refere ao primeiro quadrimestre de  2020, a queda foi de 20,7%, em comparação aos quatro primeiros meses de 2019. A SDE esclarece ainda que é prematuro afirmar que esse panorama é reflexo da pandemia do Covid-19 na economia do Estado e que, em momento oportuno, apresentará análises técnicas e econômicas consolidadas.

A Secretaria explica também que, considerando a suspensão do atendimento presencial na capital e nos Escritórios Regionais de municípios atingidos pelo coronavírus, a Juceb está operando normalmente na plataforma digital. Os serviços online foram adaptados para flexibilizar tanto os processos físicos em andamento, que requerem o cumprimento de exigências, quanto para processos ainda em fase de elaboração

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