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Morre o artista visual Nelson Leirner, aos 88 anos

Nelson Leirner na instalação “Nossa casa minha vida — Visite apartamento decorado”, na Fundação Eva Klabin Foto: Fábio Seixo / Agência O Globo
Nelson Leirner na instalação “Nossa casa minha vida — Visite apartamento decorado”, na Fundação Eva Klabin Foto: Fábio Seixo / Agência O Globo
RIO — Adesivos, imagens de divindades, tapeçaria, brinquedos. Nenhum material era proibido para Nelson Leirner, e tudo virava arte por suas mãos. Paulistano radicado no Rio há 23 anos, o artista visual fez parte da vanguarda dos anos 1960 e construiu uma obra marcada pela versatilidade e por uma visão iconoclasta da arte e do seu meio, que influenciou diferentes gerações. Vítima de infarto, Leirner morreu sábado à noite, em sua casa, no Jardim Botânico. Desde o fim do ano passado, ele vinha sendo tratado em casa, após uma internação em dezembro. Mesmo com a saúde debilitada, tentava se manter em atividade, com planos para novas exposições.
— Ele tinha muita coisa pronta e em andamento, eu acompanhava bem de perto o seu trabalho — conta a galerista Silvia Cintra, que representava Leirner há 15 anos. — Ligava para o Nelson todo dia e o visitava todas as sextas-feiras, era um amigo muito querido. Tinha uma vitalidade incrível. Todos os artistas lá da galeria brincavam que ele era o mais jovem entre eles. Agora é pensar em como organizar este material para uma exposição, para o segundo semestre.
Precursor de várias abordagens da arte contemporânea no Brasil, como a releitura de obras de outros artistas, o uso de materiais do cotidiano nos trabalhos e a presença de ícones da cultura pop em colagens e assemblages, Leirner não tratava nenhum tema como tabu, mesmo a própria morte. Desde 1999, ele passou a datar seus trabalhos com “1999 +” o ano em que eram produzido, por acreditar que “estava no lucro” por viver além do ano em questão.

Vida e obra

Nascido em São Paulo em 1932, filho do empresário Isaí Leirner (um dos fundadores do MASP) e da escultora Felícia Leirner, Nelson viveu nos EUA entre 1947 e 1952, onde estudou engenharia têxtil no Lowell Technological Institute, no estado de Massachusetts. Sem ter concluído o curso, ele voltou ao Brasil e estudou com o pintor catalão Joan Ponç, no final dos anos 1950. Fundou, em 1966, com nomes como Wesley Duke Lee e Geraldo de Barros, o Grupo Rex, que contou com um periódico e uma a galeria em São Paulo, onde eram realizadas exposições, palestras e happenings.
Fonte : O Globo

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