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Folha antecipou resultado de concorrência da CBF para publicidade estática

  Folha antecipou com mais de um mês de antecedência a vencedora de concorrência promovida pela CBF(Confederação Brasileira de Futebol) pela exploração da publicidade estática nas próximas edições do Brasileiro. A escolha da Sport Promotion aconteceu antes mesmo de a CBF receber as ofertas das concorrentes.
  No dia 24 de janeiro de 2019, mesma data em que a CBF informou em seu site oficial que passou a convidar empresas para participar da disputa, a reportagem recebeu a informação de que a Sport Promotion já havia sido previamente definida como vencedora.
  Em 31 de janeiro, mesma data da apresentação das propostas pelas empresas concorrentes, a informação foi registrada pela reportagem no cartório do 1º Tabelião de Notas da Capital, em São Paulo.
  A vencedora da licitação também foi indicada em anúncio cifrado publicado pela Redação na seção de classificados da Folha no dia 7 de fevereiro, mesma data em que os clubes se reuniram pela primeira vez na sede da CBF para discutir as ofertas.
  O anúncio trouxe o nome da empresa Sport Promotion traduzido para o português e o número do CEP da CBF no Rio como telefone de contato.
  A CBF disse que "a insinuação feita pelo jornal é absurda", que não interferiu na escolha dos clubes e que a proposta vencedora foi "de longe" a de maior valor. A EY, consultoria contratada para auditar a concorrência, também disse que não houve interferência no processo. A Sport Promotion afirmou que só soube que ganhou a concorrência na terça-feira (12), após o anúncio oficial da confederação.
[Folha antecipou resultado de concorrência da CBF para publicidade estática]
  O valor e o período de vigência do contrato não foram divulgados. Inicialmente, a oferta era de acordo até 2022, mas a empresa anunciou que vai explorar as placas por cinco anos.
Desde setembro do ano passado, a Folha divulga suspeitas em concorrências de contratos de publicidade promovidas pela confederação.
  Na nota em que anunciou o consórcio formado pelas empresas Sport Promotion e Ecotonian como vencedor da concorrência, a CBF diz que "seguindo as melhores práticas de governança e conformidade, o processo foi conduzido pela empresa de consultoria EY com total independência".
Ainda segundo a nota, a escolha foi feita pelos 20 clubes da Série A do Brasileiro.

  A Sport Promotion tem relações comerciais com a CBF há cerca de 30 anos. A empresa começou trabalhando com o programa Show do Esporte, da Bandeirantes, e se expandiu no esporte brasileiro.
Atualmente, segundo informa em seu site oficial, a empresa detém os direitos de transmissão das Séries B, C e D do Brasileiro em parceria com emissoras de televisão, e ainda explora as placas de publicidade dessas competições.

  A Sport Promotion também trabalha com os Brasileiros Feminino, masculino sub-20 e Copas do Brasil sub-17 e sub-20. Em documento enviado na concorrência pela publicidade da Série A, a empresa diz ser detentora dos direitos de 7 dos 12 campeonatos nacionais ou regionais de futebol.
  Sócia da Sport Promotion na concorrência, a Ecotonian é um fundo de investimento com sede na Suíça e na Inglaterra e faz o seu primeiro negócio no Brasil. A empresa entrou no esporte há quatro anos e tem contratos na área na Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e em Portugal.
  A concorrência foi realizada após um processo fracassado em 2018, que teve a BR Foot Mídia como vencedora. A empresa não conseguiu captar R$ 100 milhões para quitar o primeiro pagamento aos clubes e o negócio foi desfeito. Depois disso, a CBF realizou nova concorrência, dessa vez auditada pela EY.
  Segundo a confederação, 19 empresas foram convidadas a participar da nova concorrência. A Folha tem conhecimento de que IMG e Propaganda Estática foram finalistas junto com a Sport Promotion. Octagon, Synergy, Lagàrdere, Klefer, SG e Prudent também foram convidadas a apresentarem propostas na licitação.
  A Sport Promotion também está na fase final da concorrência organizada pela CBF para venda dos direitos de transmissão internacional do Campeonato Brasileiro. Essa concorrência deve ter seu desfecho anunciado nos próximos dias. A empresa é a favorita para vencer a disputa em que concorre com o grupo americano Prudent.
 
  PARA CBF E EY, NÃO HOUVE INTERFERÊNCIA NO PROCESSO DE ESCOLHA
O gerente de comunicação da Sport Promotion, Carlos Gomes, afirmou que a empresa só foi informada nesta terça sobre sua vitória na concorrência. A empresa lembrou que em 2018 já havia assinado acordo com Corinthians e Flamengo, de R$ 24 milhões para cada um, por dois anos de contrato, para explorar as placas de publicidade no Brasileiro. Por isso, disse que participou da concorrência com a esperança de também fechar com os demais clubes.

  "A insinuação feita pelo jornal é absurda", afirmou em nota a CBF. "A concorrência foi entregue à EY, uma das auditorias mais conceituadas do mundo, sem nenhuma interferência da CBF. A escolha da proposta vencedora foi feita em votação aberta, em reunião dos clubes que disputarão a Série A de 2019. A proposta vencedora foi a que apresentou, de longe, o melhor valor", completou a entidade.
Já a EY informou que foi "responsável e conduziu a concorrência". "Todo o processo de comunicação, recebimento e negociação foi realizado com total independência da CBF e dos 18 clubes participantes, envolvendo 19 empresas convidadas. Todas as propostas recebidas na concorrência, de empresas com reputação e histórico no setor, sem exceção foram qualificadas e apresentadas simultaneamente aos clubes no início de fevereiro, e não houve qualquer critério que privilegiasse alguma das empresas participantes", diz a empresa.
  "As propostas foram analisadas, sem juízo de valor ou intervenção da EY ou CBF, somente pelos clubes, os quais de forma autônoma votaram presencialmente em colegiado pela proposta que julgaram mais vantajosa, na presença da EY e com registro em ata. Vale salientar ainda que não houve no processo desqualificação ou mérito / demérito técnico que pudesse trazer uma influência externa positiva ou negativa aos valores ou modelos comerciais apresentados ou mesmo que limitassem os proponentes na concorrência. Todos os prazos para apresentação das propostas comerciais e suas revisões foram rigorosamente os mesmos, sem benefício a 'última chamada'('last call') a nenhum proponente.
  Informações sobre valores ou demais dados sobre o processo são confidenciais", completa.

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