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Três PPPs assombram governo Rui como esqueletos, por Raul Monteiro*


Governador Rui Costa
O governador Rui Costa tem sem dúvida em desafio político ao raiar do seu próximo mandato, em 2019, que é a sucessão à presidência da Assembleia Legislativa do Estado, onde dois dos partidos mais importantes de sua base, o PP e o PSD, fundamentais à sua reeleição e à governabilidade atual e futura, parecem começar a se estranhar na disputa pelo comando da Casa. Como não interferiu até agora no processo, é difícil que Rui o faça a partir de hoje, quando retoma sua agenda depois de uma viagem ao exterior, o que não significa, no entanto, que possa abrir mão de monitorar os acontecimentos no Legislativo para não ser obrigado a enfrentar surpresas desagradáveis.
Ainda que a dificuldade inicial de entendimento entre PP e PSD possa recrudescer mais adiante e resultar num bate-chapa, produzindo sequelas e até abalando as relações do governo com a Assembleia logo no início do segundo mandato do governador, a dia de hoje muitos deputados da base acreditam na construção de um consenso, mesmo sem a intervenção direta do governo, o que deve tornar o tema secundário na pauta do segundo mandato, o qual deve ser iniciado sob a égide de um novo contexto político e ideológico no país, provavelmente muito mais hostil ao governador, o qual precisará se esforçar para garantir a auto-suficiência administrativa do Estado.
Provavelmente buscando antecipar-se às mudanças que acredita que ocorrerão no seu relacionamento com o novo presidente, Jair Bolsonaro, Rui Costa encomendou um estudo para fazer ajustes na máquina estadual, o que tem estimulado especulações de que, logo no princípio do ano, promoverá uma reforma administrativa com talvez a fusão de órgãos e algumas pastas, todas medidas voltadas para a economia de custeio. Qualquer que sejam as propostas a serem implementadas, todas estarão longe, no entanto, de fazer desaparecer três esqueletos que permanecem até agora sem solução e ameaçam a imagem de bom gestor que Rui Costa disseminou na população.
Curiosamente, três envolvem PPPs, as chamadas parcerias público-privadas, um instrumento para a viabilização de empreendimentos e a construção de equipamentos públicos com a colaboração do setor privado, sem o qual muitas iniciativas não teriam até hoje saído do papel em várias partes do país, sob os mais diferentes governos. Uma delas é o próprio metrô de Salvador, um projeto que o governo do Estado teve o mérito de assumir das mãos do município de Salvador e conseguiu executar, pondo fim a 12 anos de uma obra que era tocada aos trancos e barrancos e não tinha perspectiva de ser entregue à população.
Ocorre que o equipamento tem uma demanda muito aquém da projetada, levando o governo a gastar uma fortuna para manter seu funcionamento, o que pode até ajudar a polir a imagem do governo, mas ajuda, na prática, a combalir as contas estaduais. As outras duas, no entanto, ficaram só na promessa. São o VLT, sobre o qual ninguém nem ouve mais falar, e o Centro de Convenções, sem qualquer perspectiva de solução, o que só amplia os problemas do já combalido trade turístico do Estado. Tratam-se de soluções que, até pelo seu perfil, o governador seguramente deverá,neste segundo mandato, querer oferecer à sociedade que o reelegeu com quase 75% dos votos.

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