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Cresce a presença do chocolate brasileiro no Salão de Paris

O evento acontece no Hall 4 do Port Versailles, em Paris
O evento acontece no Hall 4 do Port Versailles, em Paris

A 24ª edição do Salon du Chocolat, maior evento do segmento, que ocorre em Paris, de 31 de outubro a 4 de novembro, envolve mais de 500 expositores de 60 países, e o Brasil está muito bem representado com o que há de melhor em chocolate de origem de fabricação nacional, mostrando ao mundo o potencial brasileiro em economia criativa, práticas sustentáveis e produtos de qualidade.
O número de expositores brasileiros no evento cresce a cada ano. Nesta edição, o estande Chocolate Origem Brasil apresenta e comercializa aos mais de 130 mil visitantes da exposição, produtos de 14 marcas de 5 estados brasileiros, numa ação da Rede CIN - Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios da CNI, com apoio da Apex Brasil e ABICAB.
Segundo Patrícia Orrico, gerente do CIN na Fieb - Federação das Indústrias da Bahia, “a Rede CIN, pelo segundo ano, oportuniza aos fabricantes de chocolates do Brasil expor e fazer negócios no maior evento mundial do ramo, em Paris, cumprindo seu papel de promover negócios da indústria brasileira em eventos no exterior”.
Da Commodity ao Chocolate de Origem
O potencial brasileiro para produção de alto valor agregado se expressa bem no caso do chocolate de origem. Historicamente um dos maiores exportadores mundiais do cacau enquanto commodity, o Brasil vem verticalizando a matéria-prima para obter produtos de qualidade, inovadores e com processos de produção sustentáveis e socialmente responsáveis. O resultado é a obtenção de bons negócios e a migração para uma imagem internacional positiva, como fabricante de cacau fino e de chocolate de alto padrão, com reconhecimentos e premiações em nível mundial.
Essa elevação do status brasileiro no exterior é fruto de esforços dos produtores, individuais e através de suas instituições representativas, mas principalmente incentivados pelo projeto inovador intitulado “Cacau do Brasil”, que há 10 anos atua na qualificação do processo produtivo e na promoção do cacau fino, contando desde o início com o apoio dos governos estaduais da Bahia e do Pará, onde se concentram as principais áreas de cultivo do fruto no país.
Outro motivo da alavancagem do Brasil nesse mercado vem do fato de muitos produtores e empreendedores terem passado a investir na fabricação artesanal do chocolate nos últimos anos. Utilizando do conceito Tree to Bar, as marcas agregam valor à matéria-prima, transformando o cacau fino em chocolate de origem e adicionando ingredientes naturais, como o cupuaçu, o comaru e diversas outras frutas e sementes tropicais.
Segundo Luciana Centeno, CEO da Nayah, marca paraense presente pelo segundo ano no Salon du Chocolat, “os franceses valorizam muito a utilização de especiarias exóticas na composição do chocolate e demonstram interesse pelos sabores diferenciados dos nossos produtos”.
A Nayah é um exemplo de fabricante que se diferencia nos detalhes da produção, distinguindo os chocolates pelo Terroir de origem do cacau (solo, clima, sementes e tratamentos aplicados), e fazendo misturas singulares de sabores tipicamente brasileiros.
Ecologia e Responsabilidade Social
A preocupação das empresas e instituições com o meio ambiente e com os aspectos sociais da produção é fator de destaque na produção artesanal brasileira de chocolates.
A utilização de práticas como a Cabruca, de plantação do cacau sob mata atlântica preservando a floresta, e a valorização da agricultura familiar e do trabalho decente, são exemplos de que é possível produzir e gerar lucros em harmonia social e ambiental.
A Biofábrica, situada em Ilhéus, produz 4,4 milhões de mudas de cacau ao ano, e com apoio do governo do Estado da Bahia, incentiva a produção familiar com o repasse gratuito de mudas aos pequenos produtores e assistência técnica para a produção agrícola.
Além disso, financia escolas e atua junto a movimentos sociais para produção de cacau e chocolate, dentre outras culturas. O
Assentamento Terra Vista é um exemplo desta relação e envolve 56 famílias na produção de cacau e de chocolate de forma sustentável, cuja marca de mesmo nome participa pelo 4º ano seguido no Salon du Chocolat, em Paris, com premiação internacional.
Para Eliomar Melo, agente de desenvolvimento rural e representante da Terra Vista no evento, “O chocolate que é vendido numa feira como essa, representa muito mais do que um produto, mas uma história de vida de pessoas engajadas em preservar o ambiente, a cultura e os saberes ancestrais dos povos brasileiros”.
O Salon du Chocolat vai até domingo, dia 4 de novembro, no Hall 4 do Port Versailles, em Paris.

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