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Setores do PT discutem não votar em Coronel, mas partido minimiza divergência




As posições do candidato ao Senado Angelo Coronel (PSD) sobre temas espinhosos como descriminalização do aborto e redução da maioridade penal têm provocado divergências em setores do PT, partido do candidato à reeleição Rui Costa, que discutem fechar voto em Fábio Nogueira, que disputa o mandato de senador pelo PSOL.

Em entrevistas recentes à imprensa, o social-democrata tem dito que, caso chegue ao Senado, vai votar contra um eventual projeto para deixar que o aborto seja crime e também será a favor da redução da maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos. Os posicionamentos são diametralmente opostos ao defendido por setores considerados mais progressistas do PT. Por causa disso, os grupos avaliam votar em Fábio, alinhado ideologicamente com o pensamento da sigla. 

De acordo com uma fonte ligada a setores envolvidos com movimentos sociais petistas, nomes de correntes como Democracia Socialista e Construindo um Novo Brasil (CNB) – esta última, a maior do partido atualmente – estudam abandonar Coronel. Elas têm cobrado do candidato um posicionamento mais progressista, mas, até o momento, não identificaram uma inflexão do social-democrata a esse campo. Ele desagrada principalmente a militância mais jovem petista, identificada com questões feministas, de combate ao racismo e LGBTfobia. 

Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, Coronel pode ficar sem o apoio petista até em Coração de Maria, sua cidade natal, na qual foi prefeito e é um de seus redutos eleitorais. Nesta terça, uma reunião do partido com o movimento negro na cidade decidiu que não fará campanha para o candidato e deve dividir seu voto entre Fábio e Irmão Lázaro (PSC), que vem aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais. O município é atualmente governado por Paim da Farmácia, do PT. 

Ainda conforme a fonte ouvida pelo BN, já houve várias tentativas de acordar com Coronel um alinhamento em relação à agenda defendida pela militância petista, sem sucesso. “Tentamos várias vezes sentar com a campanha de Coronel para discutir essas ideias, mas eles não sentam para discutir. Há dificuldade desses movimentos organizados em sentar com Coronel para debater esse tipo de política. E isso é preciso fazer. Nós não chamamos Coronel pra cá, foi ele que veio”, afirmou essa fonte, sem querer se identificar.

Por outro lado, a militância avalia que fica cada vez mais tarde para Coronel “encantar” os grupos e que não conta com o apoio do comando da sigla, empenhada em eleger a chapa majoritária de Rui, composta ainda por João Leão, pelo candidato ao Senado Jaques Wagner e também pelo próprio Coronel. 

PT MINIMIZA DIVERGÊNCIAS
A possível dissidência no PT não parece abalar o presidente do partido na Bahia, Everaldo Anunciação. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele admitiu que existe um movimento contrário a Coronel, mas minimizou o descontentamento. Para ele, os dissidentes são em número pequeno e não seriam capazes de prejudicar o desempenho do candidato nas urnas. 

“Com todo respeito a quem se posicionou contra, essas pessoas não têm peso político para influenciar uma decisão contrária à do partido e para mudar voto. O PT vai votar massivamente em Jaques Wagner e em Angelo Coronel”, assegurou.

Ele ainda defendeu que Coronel não é obrigado a se posicionar da mesma forma que o PT e que é necessário aceitar posições divergentes. “Nós fizemos uma aliança de centro-esquerda, não fizemos aliança de iguais. Se quiséssemos fazer uma aliança de iguais, faríamos só com o PT. Coronel não é um petista e não queremos que ele se transforme em um petista”, afirmou. 

Ainda segundo ele, o esforço de convencer Coronel a defender posicionamentos adotados pelo partido será feito com diálogo “saudável”. O presidente do PT também defendeu a aliança de Rui com o candidato, em detrimento da senadora Lídice da Mata (PSB), que foi retirada da chapa majoritária, provocando críticas entre partidos de esquerda que compõem a base governista. 

“A construção de uma sociedade democrática não é imposição de um partido e de um pensamento. Nós temos posição e vamos trabalhar para convencer as pessoas dessa posição, precisamos fazer um debate de ideias. Não está em jogo só a eleição. Estão também valores. A não eleição de Coronel seria a perda de nossos valores para uma concepção de poder mais conservadora. Temos tarefa maior de derrotar esse conservadorismo”, disse. 

Rui e Wagner têm feito esforço na campanha para eleger Coronel senador. Na propaganda eleitoral, o ex-governador da Bahia dedica boa parte de seu tempo a defender o voto casado, ou seja, nele e em Coronel, para o Senado. Nas viagens pelo interior, o candidato à reeleição também tem reforçado a tese de que é preciso dar a vitória nas urnas para os dois em 7 de outubro. 

A forte campanha tem motivo. Com Irmão Lázaro (PSC) em segundo nas pesquisas, pela primeira vez, a Bahia pode não eleger os dois candidatos ao Senado na chapa do vencedor da eleição para governador. E o esforço parece ter mostrado resultados. Nas últimas duas pesquisas, uma do Ibope e outro do Instituto Big Data, Coronel apresentou crescimento nas intenções de voto. Nesta última, apareceu empatado com Lázaro.

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