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Desafio é potencializar o “efeito Isaquias”


Dirigentes pensam em estratégias que possam aproveitar a visibilidade do atleta que se tornou referência mundial para ampliar a base de talentos na modalidade
Com dois ouros e um bronze, a delegação de nove atletas do Brasil terminou com a sexta colocação no quadro geral de medalhas do Mundial de canoagem velocidade, disputado entre 22 e 26 de agosto em Montemor-o-Velho, em Portugal. Assim como nos Jogos Olímpicos Rio 2016, todos os pódios nacionais tiveram Isaquias Queiroz como protagonista. O baiano de Ubaitaba foi ouro na C1 500m, bronze na C1 1.000m e ouro na C2 500m, esta última prova ao lado de Erlon de Souza. A Alemanha foi o país que mais conquistou medalhas: 13, com sete ouros. Ao todo, o evento reuniu 1.089 atletas da canoagem olímpica, de 66 países.
O reiterado desempenho de destaque de Isaquias é visto no Brasil como oportunidade de popularizar o esporte. “Temos a equipe de canoa de Lagoa Santa, em Minas Gerais, como um espelho mundial, mas a canoa feminina e o caiaque precisam evoluir. Nesse sentido, temos desafios pela frente para fazer crescer essas categorias”, afirmou Álvaro Koslowski, supervisor da Canoagem Velocidade da Confederação Brasileira da modalidade (CBCa) e chefe da equipe em Portugal.
Uma das vertentes para superar esse desafio é o estabelecimento de parcerias entre clubes e federações. “A confederação fez um contrato de comodato com os clubes. Uma estratégia para ampliar a base. Para que cada clube receba um kit com 12 barcos, precisava formar pelos menos 15 novos atletas com chance de chegar ao alto rendimento”, disse Thiago Oliveira Borges, técnico da seleção. Segundo ele, um possível retrato dessa política é que o próximo Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, em Curitiba (PR), de 30 de agosto a 2 de setembro, terá 480 competidores, 100 a mais que em 2017.
A aposta em Thiago Oliveira também se enquadra nos investimentos de médio e longo prazo. O gestor iniciou na modalidade pelo caiaque, aos 13 anos. Disputou competições nacionais e internacionais. Aos 20 anos, foi estudar educação física e, em 2004, virou treinador. “Confesso que fui para a canoagem porque era ruim de bola. Era o último que chamavam para entrar em campo. Aí conheci um projeto que tinha a canoagem. A modalidade é viciante. Comecei a treinar, me destacar e ganhei um título nacional e um sul-americano. Fiz mestrado na Unicamp e depois fiquei quatro anos na Austrália, onde fiz doutorado e trabalhei com a seleção de lá para o ciclo de Londres, 2012. Voltei ao Rio e treinei um atleta da África do Sul. Recentemente, veio o convite para a seleção brasileira”, disse.
(Foto: Divulgação)
Desafio do feminino
A canoagem tem potencial estratégico no programa olímpico por proporcionar muitas chances de medalha, em especial com as mudanças para equalizar oportunidades a homens e mulheres. No programa de Tóquio 2020, serão seis provas para cada gênero. Nos Jogos Olímpicos, as vagas são limitadas por país. Haverá quatro provas no caiaque para homens e mulheres, e duas na canoa.
As representantes brasileiras em Montemor-o-Velho tiveram desempenho tímido. Na canoa feminina C1 200m, categoria olímpica, Valdenice Nascimento, que foi bronze no Mundial da Rússia, em 2014, disputou a final B (a partir do décimo colocado) e fechou a competição em 11º. Ela não completou a C1 5.000m, que disputou no último dia do evento. Andrea Oliveira e Angela Silva, da C2 500m – mais uma novidade no programa olímpico – ficaram em 15º.
No caiaque, a melhor colocação foi de Ana Paula Vergutz no K1 5.000m, com o 11º lugar. Na K1 500m e no K1 1000m, que ela também competiu, a atleta parou na semifinal. Entre os outros integrantes o time, Edson Isaias, do K1 200m, não conseguiu se classificar para as finais, assim como Vagner Souta no K1-1000m. No K1-5000m, Souta não concluiu a prova.
Para Koslowski, o resultado também tem conexão com a queda no número de patrocínios com o fim do período mais atrativo dos Jogos Rio 2016. “A confederação, em parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil), conseguiu dar um apoio mínimo. De qualquer forma, estamos felizes pela continuidade da liderança da canoa masculina. Agora é manter isso e melhorar nas outras categorias”, ressaltou.

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