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Brasil dá adeus a Antônio Ermírio de Moraes

Familiares e amigos se despediram do presidente de honra do grupo Votorantim, enterrado ontem em São Paulo(foto: Luiz Cláudio Barbosa/Futura Press)
Familiares e amigos se despediram do presidente de honra do grupo Votorantim, enterrado ontem em São Paulo

Ícone empresarial e um dos homens mais ricos do país, Antônio Ermírio de Moraes, presidente de honra do grupo Votorantim, foi sepultado ontem no Cemitério do Morumbi, Zona Sul da capital paulista. O engenheiro morreu na noite de domingo em sua casa, no mesmo bairro, vítima de insuficiência cardíaca. Filho do pernambucano José Ermírio de Morais, que fundou o conglomerado na cidade de Votorantim (SP) em 1918, Antônio deixou a esposa Maria Regina Costa de Moraes e nove filhos.

O velório ocorreu ontem na capela da Beneficência Portuguesa, instituição para a qual dedicou quase metade de seus 86 anos de vida. Durante quatro décadas presidiu a diretoria do hospital, do qual era um dos principais beneméritos. Autor de três peças de teatro e de vários livros, o engenheiro integrava a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira número 32, e também teve importante atuação política.

Foi um dos maiores defensores da campanha Diretas já (1984) e candidato ao governo paulista (1986), pelo PTB, perdendo para o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Presente em vários momentos dos governos dos ex-presidentes, de Tancredo Neves a Luiz Inácio Lula da Silva, mostrava-se simpático ao PSDB e avesso ao PT.

Em 2001, Antônio Ermírio foi diagnosticado com o mal de Alzheimer. Deixou o conselho da companhia há oito anos e não era mais visto em público com frequência. Com operações nos setores de alumínio, celulose, cimento, bancos e portos, o Votorantim faturou R$ 6,9 bilhões no segundo trimestre do ano. Recentemente, a revista norte-americana Forbes calculou o patrimônio líquido do empresário em US$ 3,9 bilhões.

Repercussões A morte de Antônio Ermírio foi lamentada pelos representantes do mundo financeiro e político. "Líder nato, Antônio Ermírio sempre acreditou no desenvolvimento do Brasil. Aos familiares e amigos, meus sentimentos por esta perda", afirmou, em nota, a presidente Dilma Rousseff. "A história da Votorantim está diretamente relacionada com a dedicação e doação pessoal do doutor Antônio, que serviu de exemplo e inspiração para seus valores, como ética, respeito e empreendedorismo", disse o presidente do Conselho de Administração da holding Votorantim Participações, Raul Calfat, em nota.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, ele foi um modelo de industrial e de cidadão por suas ações em favor do progresso e da redemocratização do país. "Obstinado na conquista de seus objetivos, Antônio Ermírio nos lega um importante exemplo com sua vida de empreendedor e de defensor da ética nas relações humanas. Deixa, também, um admirável trabalho em favor da educação e da saúde dos brasileiros mais pobres", ressaltou.

O papel de Antônio Ermírio na Beneficência Portuguesa é destacado pelo presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Aguinaldo Diniz. “Por seus posicionamentos sempre fundados na ética, foi também, sem dúvida, pioneiro do que é hoje conhecido com a moderna responsabilidade social empresarial”, diz ele, que chama o empresário de um dos mais importantes líderes da indústria brasileira.


Empresário escreveu livros e integrava a Academia Brasileira de Letras(foto: Wanderley Possembom/CB/D.A Press %u2013 15/1/1997)
Empresário escreveu livros e integrava a Academia Brasileira de Letras

Simplicidade
Além do sucesso nos negócios, o presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Roberto Fagundes, afirma que a construção de um “verdadeiro império empresarial” não fez com que Antônio Ermírio perdesse sua “simplicidade característica”, o que o permitia “criticar com cortante franqueza os desacertos que percebia na administração pública. Foi, em suma, um exemplo que permanecerá vivo”, disse Fagundes. Na biografia escrita pelo cientista político e amigo José Pastore, com quem teve contato até os últimos dias da vida, é possível encontrar inúmeras histórias que destacam a simplicidade. O engenheiro evitava ostentação, não só nos ternos e gravatas puídos que usava, mas, sobretudo, em carros.


O presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, destacou a condução de Moraes à frente do Votorantim. “O país perdeu um pioneiro na criação da economia brasileira moderna. Foi-se um homem de crença e de coragem na defesa dos valores do investimento, do emprego e da produção”, salientou. Para ele, o empresário será sempre visto “como referência maior para todos os que acreditam na iniciativa privada como instrumento para tornar o mundo melhor”.

Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do banco, classificou a perda de Antônio Ermírio como “inestimável”. “Sua coragem empreendedora fez do Votorantim um gigante da indústria nacional e global, no qual o crescimento sustentado e a bem-sucedida diversificação forjaram ao longo dos anos centenas de milhares de empregos e riqueza crescente para o país”, acrescentou.

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