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Reserva indígena teme represália, após execução da cúpula da facção



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O clima na reserva indígena Jenipapo-Kanindé, localizada no Município de Aquiraz, ainda é de tensão. Os moradores da localidade, onde foram encontrados os corpos de 'Gegê do Mangue' e 'Paca', aos poucos tentam voltar à rotina, após o episódio. Porém, a apreensão dos indígenas ainda é grande. Eles temem que a mídia e a sociedade civil façam algum tipo de ligação do crime com moradores da aldeia, ou até mesmo, que alguma represália seja planejada por alguma facção, mesmo sem ter qualquer envolvimento com o crime.
O último homicídio próximo à região da aldeia aconteceu em 2012, e segundo moradores, a vítima não era indígena, apenas morava na reserva, que conta atualmente com cerca de 340 pessoas, e tem como principal fonte de renda a agricultura. "Foi um fato isolado e assustador para todos nós. Muitas pessoas e alguns veículos de comunicação estão divulgando que nós acobertamos ou temos algum tipo de ligação com esse episódio. Isso é mentira. Não compactuamos com qualquer tipo de casos como este. A palavra que resume esse episódio é desespero. Nós achávamos que estávamos seguros, mas hoje, não sabemos mais", afirma Juliana Alves, conhecida em sua tribo por cacique Irê.

A líder destaca, ainda, que nos últimos dias vários moradores lhe procuraram com medo e pedindo ajuda, apreensivos, de que haja algum tipo de represália. "Hoje, nos encontramos amedrontados. Não temos nada a ver com o caso e não queremos ficar na linha de frente de qualquer outro tipo de organização. A nossa aldeia é algo sagrado. Aqui, não vivemos com nenhum tipo de relação com o crime ou as drogas. Não aceitamos que isso aconteça em nosso território. É inadmissível sujar nossa mãe-terra com sangue", pontua.
Os indígenas da reserva denunciam também a falta de policiamento na área. Segundo eles, não há nenhum posto físico ou de fiscalização mais assídua durante o dia na área. "Não temos policiamento próximo. Vez ou outra uma pessoa da Fundação Nacional do Índio (Funai) passa por aqui, mas é algo raro. Se acontecer algo mais grave por aqui, quando alguém vier nos visitar, já pode ser tarde demais", finaliza cacique Irê, que ressalta também que já solicitou a presença do Ministério Público Federal e da Polícia Federal no local, a fim de levar as demandas mais críticas da aldeia.
Prejuízos
O episódio também impactou no turismo da região. De acordo com Eraldo Alves, coordenador de turismo comunitário na reserva, nos últimos dias, eles receberam várias ligações cancelando passeios no local, que era intermediado por agências de turismo e escolas.
"Todo esse clima de tensão tem nos prejudicado muito, principalmente, nas atividades de turismo comunitário. Alguns pais estão achando que nossa aldeia é perigosa, que os índios usam drogas. Isso é uma inverdade. Não aceitamos esse tipo de prática. Nos últimos dias, atendi várias ligações de agências de turismo cancelando as programações de visitas, como consequência do que aconteceu na quinta-feira (15)", aponta.
Para a cacique Mãe Pequena, líder da aldeia, os últimos acontecimentos não vão manchar a fama de tranquilidade da reserva Jenipapo-Kanindé. "Ninguém da nossa aldeia teve contato ou conhecia essas pessoas. Foi surpresa para todo mundo. A gente sabe quem entra e quem sai dos nossos 1.734 hectares de terra, que é uma área demarcada", explica a anfitriã.
No dia do crime, a cacique Mãe Pequena não estava no local. Entretanto, ela conta que o clima de nervosismo atingiu a todos os moradores. "Foi impactante. A gente pede a Deus que não aconteça nunca mais, porque nos deixou totalmente reprimidos", finaliza.

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