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Ilê Axé Torrun Gunan acusa PMs de intolerância religiosa: “invadiram e apontaram armas para os filhos de santo”

[Ilê Axé Torrun Gunan acusa PMs de intolerância religiosa: “invadiram e apontaram armas para os filhos de santo”]
30 de Janeiro de 2018 às 08:26 Por: Reprodução Por: Adelia Felix00comentários
A comunidade do Ilê Axé Torrun Gunan, localizado no Subúrbio de Salvador, acusa policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/Rondesp BTS e do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de cometerem um “ato de intolerância religiosa, racismo institucional e agressão”, no último sábado (27).
Em entrevista ao BNews, o ogã Eduardo Machado, que chegou a ser preso durante a ação policial, contou que os policiais invadiram o templo religioso dando tiros, agredindo, apontando armas para os filhos de santo, e alegando que eles estariam abrigando marginais.
Ao site, o ogã do terreiro relata que quando questionou aos PMs sobre a motivação da ação, os policiais disseram que estavam em troca de tiros com criminosos. “Sem qualquer aviso, adentraram e atiraram contra o terreiro, deixando várias marcas de bala nas paredes do barracão e no Quarto de Santo. Eu perguntei o que estava acontecendo quando vi meus irmãos todos deitados no chão. Aí, meu irmão gritou 'é a polícia'. Eles apontaram uma arma para cabeça do meu irmão. Pedi que eles se retirassem porque eles não tinham mandado. Um policial mandou calar a boca e apontou a arma para minha cabeça. Eu disse se você vai atirar, atire”, lembra. 
Logo depois, Eduardo foi preso por desacato, desobediência e resistência à prisão. “O comandante me chamou perto de uma lagoa. Eu disse que não iria. O policial veio me revistar, dizendo que sou muito ousado. Depois, seis ou sete policiais tomaram meu celular e me acusaram de desacato”, detalha. Na 8ª Delegacia, Eduardo prestou depoimento e foi liberado.
Ainda em entrevista, ele recorda que um episódio semelhante aconteceu no bairro da Liberdade, quando o terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe também foi invadido por policiais. “É algo que está se repetindo. Eles não entram em igreja dando tiro. Não botam arma na cara de pastor. Não entendo porque com religiões de matrizes africanas é essa falta de respeito. Quando questionei sobre os tiros, eles disseram que a gente leva traficantes para lá. Isso é um falso testemunho. A gente faz um trabalho que leva oportunidades para aquela juventude inserida em um contexto de violência”, rebate.
O ogã do terreiro que está inserido na ocupação Quilombo da Lagoa, atual comunidade Morada da Lagoa, disse que vai acionar a Justiça. "Não acobertamos nenhum tipo de transgressão, e já estamos tomando as devidas providências jurídicas para que o Estado se posicione e que esse triste evento não se repita”, garante.
Procurada pelo BNews, a assessoria da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) detalhou que, "as guarnições informaram que, ao atenderam a ocorrência na qual um morador da região havia sido expulso de sua residência por traficantes locais, se depararam com indivíduos armados e houve troca de tiros". Ainda segundo a polícia, "os criminosos fugiram e pessoas foram abordadas nas proximidades. Uma delas desobedeceu à ordem legal para abordagem, apresentou resistência ao negar-se a colocar as mãos na cabeça durante a busca pessoal e desacatou os policiais". De acordo com a PM, "o homem conduzido já havia sido preso por desacato nos anos de 2004 e 2016”.
A polícia afirma que, como nestas ocorrências os “policiais diligenciavam na busca de criminosos que adentraram em terreno dos terreiros para fugir, foi necessária a entrada nesses espaços religiosos de propriedade privada, com o amparo na legislação, quando em situações flagrantes de cometimentos de delitos”. 
Ainda segundo a PM, há 12 anos foi criado na instituição o Núcleo de Religião de Matriz Africana (Nafro) que pauta a proteção dos cultos afros e a garantia do direito dos religiosos de professarem sua crença dentro dos quadros da PM.
A polícia acrescenta que “as ocorrências no Curuzu, em 2017, e agora na Lagoa da Paixão motivaram o Nafro a criar um projeto de conscientização junto às unidades operacionais da PMBA para orientar os policiais militares não praticantes das religiões de matriz africana sobre como atuar em ocorrências que envolvam a religião”.
A PM esclarece à sociedade que não coaduna com ações intolerância religiosa e racismo, e que todas as denúncias nesse sentido serão rigorosamente apuradas.

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