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Romário se lança candidato a presidente da CBF e diz que futebol brasileiro é dominado por corruptos

Romário não perdeu tempo e já se lançou candidato a presidente da CBF, menos de uma semana depois de Marco Polo Del Nero ter sido suspenso de todas as atividades do futebol por 90 dias pelo Comitê de Ética da Fifa. O senador usou as redes sociais para colocar seu nome e ideias à disposição do futebol brasileiro.
“Muitos me perguntam se eu sou candidato, afinal, ninguém mais lutou tão vigorosamente contra essa quadrilha e é legítimo que eu me candidate . Então, sim, a resposta é posso sim vir a ser candidato. Tenho todos os pré-requisitos para isso. Toda minha contribuição para o futebol, dentro e fora de campo, são as minhas credenciais”, disse Romário no seu manifesto divulgado nesta terça-feira.
A entrada de Romário no processo de sucessão de Del Nero era natural. Nos bastidores do futebol brasileiro se tinha como certa a participação direta do ex-jogador e hoje senador pelo partido Podemos-RJ. Aliás, o craque também já se lançou pré-candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro.
Com Romário em cena, ex-jogadores do porte de Zico e Ronaldo Fenômeno estão no páreo na corrida pela sucessão de De Del Nero, como mostrou o Chuteira FC no último sábado (16/12).
Problema maior é como esses ex-atletas de lastro internacional e o senador Romário entrariam na disputa pelo poder na CBF, tendo em vista a estrutura montada na entidade que não permite a participação de “intrusos”.
Para ser candidato o pretendente tem de contar com o aval de pelo menos cinco federações estaduais e de no mínimo oito clubes. Sem essa aprovação, nenhum cidadão consegue inscrever sua candidatura.
Não custa lembrar que cada voto de federações tem peso 3. Assim, as 27 federações teriam 81 votos contra 60 dos clubes – 20 da Série A, com peso 2, e mais 20 da Série B, com peso 1. A conta é simples: as federações controlam as eleições na CBF.

Defesa de Marin complica Del Nero
Del Nero recepcionado no Allianz Parque – foto: CBF

Não por acaso Del Nero fez essa manobra para dar peso 3 aos votos das federações, em meados de 2017, na mesma hora em que a Seleção Brasileira de Tite fazia 4 a 1 no Uruguai em Montevidéu pelas Eliminatórias da Copa 2018. Os clubes não participaram dessa assembleia e também não reagiram.
Com os presidentes das federações estaduais nas mãos – leia-se aí, agraciados com um “mensalinho”, benesses, viagens e mordomias –, Del Nero planejava ficar no poder na CBF até 2027. Seu mandato vai até o fim de 2019. Ele tinha projeto de convocar eleições em abril de 2018, se reeleger com enorme facilidade para um mandato até o fim de 2023 e com direito à reeleição para um quarto mandato até fim de 2027.
A Fifa resolveu abreviar essa história ao afastar Del Nero por 90 dias do futebol, muito por causa do que saiu do julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e outros cartolas em Nova York quando o atual presidente da CBF foi acusado de receber propinas estimadas em US$ 6,5 milhões.
Del Nero dificilmente vai escapar de um punição severa, um gancho estimado em oito anos ou até o banimento total do futebol. Em outros casos semelhantes ao do cartola brasileiro, a Fifa optou por pena máxima – casos de Joseph Blatter, Jérôme Valcke, Michel Platini e outros.
Com Del Nero fora do páreo, o sistema da CBF procura um novo nome para manter a hierarquia, sustentar essa estrutura que se perpetua no futebol brasileiro há pelo menos 40 anos. A briga começa esquentar.
Veja o manifesto de Romário:
Depois que a FIFA suspendeu o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, de qualquer atividade relacionada ao futebol em nível nacional e internacional, existe uma pergunta no ar: quem será o próximo presidente da CBF?
A resposta correta é dizer que será um daqueles vices viciados e corruptos, que fazem parte do sistema instalado por Havelange, mantido por Teixeira e todos os outros que os sucederam.
Mas qual seria a resposta ideal? Nossa utopia é ver alguém que ama futebol naquele cargo. Hoje está um que ama dinheiro e é capaz de matar o futebol para obtê-lo. E o fez nos últimos anos, vulgo o 7×1.
O futebol brasileiro chegou ao fundo do poço em termos de vergonha. Não bastassem os vexames em campo, pela falta de renovação, passamos vergonha internacionalmente por ver os gestores do futebol presos ou indiciados.
Muitos me perguntam se eu sou candidato, afinal, ninguém mais lutou tão vigorosamente contra essa quadrilha e é legítimo que eu me candidate .
Então, sim, a resposta é posso sim vir a ser candidato. Tenho todos os pré-requisitos para isso. Toda minha contribuição para o futebol, dentro e fora de campo, são as minhas credenciais.
Hoje a CBF gasta mais com luxo de dirigente do que com investimento no futebol em si. Além dos roubos comprovados pela CPI, como compra de sede superfaturada e contratos de patrocínios fraudulentos.
Temos que fechar essa torneira de corrupção e investir nos jovens atletas, voltar o esporte um pouco para o social, investir no futebol de base e no futebol feminino. O esporte tem um poder transformador e, aliado a isso, junto com as federações, os clubes, os atletas e os torcedores, promover um futebol bom pra todos.
Mas da forma como está o estatuto hoje, ninguém de fora da estrutura pode ser candidato. Não existe democracia na CBF. Os corruptos se protegem.
Já lancei o movimento por Diretas Já na CBF. Agora clamo a todos que amam o futebol e estão cansados de tanta sacanagem a se juntar a mim nessa causa. Jogadores, ex-jogadores, técnicos, clubes, empresários e até presidentes de federação que queiram a mudança.
Vamos juntos!

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