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Nova ‘cela’ de Marcelo Odebrecht tem piscina e campo de futebol


Em 19 de dezembro de 2017 Marcelo Bahia Odebrecht dorme a última madrugada na cadeia da Lava Jato em Curitiba, se a agonia que o domina permitir. Encerra-se o mais amargo e obscuro ciclo de sua vida: os 914 dias de cárcere. Com 49 anos de idade, a nova prisão de Odebrecht tem 3 mil metros quadrados, piscina, ampla área de lazer, com mini campo de futebol, e uma área de cozinha maior que toda carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, onde passou últimos três aniversários. Depois de 2 anos e 6 meses preso, Marcelo – neto do fundador Norberto Odebrecht – vai voltar para casa na próxima terça-feira, onde passa a cumprir prisão domiciliar, benefício mais almejado do indesejado acordo de delação premiada que assinou com a Procuradoria-Geral da República (PGR), em 2 de dezembro de 2016. Avaliada em R$ 30 milhões, a nova “custódia” está em um dos condomínios mais seguros da capital paulista, com custo mensal de R$ 20 mil aos condôminos. Foi neste endereço, o Jardim Pignatari, que Odebrecht III foi preso às 6 horas da manhã de 19 de junho de 2015 por policiais federais, com uma ordem do juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato de Curitiba, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Era sexta-feira e o empresário se preparava para o exercício matinal preferido: a natação. A casa ocupa três terrenos, uma das maiores do condomínio – que tem cerca de 45 imóveis -, mas, ainda assim, será uma prisão. Marcelo não será solto. Ele vai passar 2 anos e meio sem poder sair de casa, monitorado por uma tornozeleira eletrônica – que é à prova d’água. Pelo acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público, o criador do “setor de propinas” da Odebrecht só terá direito de pisar na rua sem qualquer tipo de monitoramento depois de 5 anos de prisão, portanto, em 2020. A liberdade para o empresário, que já foi considerado um dos homens mais influentes do País, só virá em 2025, quando terá cumprido os 10 anos de pena – equivalente a um terço dos 30, máximo acordado na delação. Mesmo assim, Odebrecht, a mulher, Isabela, e as três filhas adolescentes não escondem que encaram a progressão do regime fechado para o domiciliar como “liberdade”, nas visitas à carceragem da PF. Na cela em que passa os últimos dias de preso, em Curitiba, divide o espaço de 12 metros quadrados com o lobista Adir Assad. O ambiente de cinzento e frio foi onde Odebrecht esteve a maior parte da temporada: ele chegou a ser transferido para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, em 2015, mas retornou em seguida. Dominado pela ideia de “liberdade”, Marcelo abandonou nas últimas semanas os manuscritos e outros hábitos que tinha, como comer barras de cereais a cada duas horas. Mantém duas rotinas obstinadas: exercícios físicos – são três horas diárias – e a contagem regressiva para o dia em que voltará para casa, iniciada em 28 de janeiro de 2017, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo do empresário e dos demais delatores da empresa.

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