As chuvas de dezembro já provocam estragos em Minas. Em apenas quatro dias, o Estado registrou inundações, alagamentos, deslizamentos de terra, desaparecimentos e até mortes. Pelo menos cinco pessoas perderam a vida, segundo a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec). Os óbitos ocorreram em Belo Horizonte, Uberaba e Perdizes (Triângulo Mineiro) e Ribeirão das Neves (Grande BH).
Sete municípios decretaram situação de emergência. Cenário que pode se agravar até março, quando termina o período chuvoso. A previsão dos serviços de meteorologia é de mais temporais até a semana que vem. “O momento é de alerta. Estamos a postos 24 horas para qualquer ocorrência que possa surgir”, afirma o porta-voz da Cedec, capitão João Paulo Fiuza da Silva.
Só em BH, a Defesa Civil atendeu a 308 chamados relacionados às fortes chuvas desde a última sexta-feira. As principais solicitações são para alagamentos e deslizamentos.
“Tivemos regionais em que a chuva atingiu 91% do previsto para todo o mês só nesses dias. Por isso, ela surpreendeu e causou um estrago enorme na cidade”, observou o subsecretário de proteção da Defesa Civil de Belo Horizonte, coronel Alexandre Lucas.
Ele explica que um dos maiores riscos são os deslizamentos de terra. Pelo menos 540 famílias na capital estão em encostas em estado de atenção, com perigo de acidentes.
Lama tomou conta de pelo menos 15 moradias no bairro Vila São Paulo
Lama tomou conta de pelo menos 15 moradias no bairro Vila São Paulo, na divisa da região Oeste de BH com Contagem
Lama
No bairro Vila São Paulo, divisa da região Oeste de BH com Contagem, na região metropolitana, as fortes chuvas provocaram prejuízos aos moradores. Várias casas ficaram alagadas com a água que descia de uma linha férrea acima das residências. Contenções que sustentam os trilhos se romperam e pelo menos 15 casas ficaram repletas de lamas.
Uma delas foi a do desempregado Wilson Pereira. “Não dormimos nada essa noite. A primeira lama do domingo desceu por volta das 22h. Desde então, estamos em alerta”, conta.
Adneia Duarte Fonseca, dona de casa, assustou-se com a força das águas. O recurso para evitar que ela subisse foi fazer buracos nas paredes. “Nunca vi nada parecido”, revelou.
Nessa segunda (4), 62 apartamentos de um condomínio no bairro Camargos, também na região Oeste da capital, foram interditados pela Defesa Civil. Um muro de contenção ao lado dos prédios teve desabamento parcial e os moradores tiveram que deixar as residências por precaução. Por meio de nota, a construtora Tenda disse trabalhar para solucionar os problemas e dando a assistência necessária às famílias.
No bairro João Pinheiro, na regional Noroeste, um deslizamento de terra em uma encosta de 10 metros de altura forçou a interdição de três casas. Outros 13 moradores foram orientados a deixar as residências.

Sul de Minas

Em Pouso Alegre e Varginha, no Sul de Minas, vários pontos ficaram alagados. As chuvas foram tão fortes que as águas invadiram casas, forçando a saída de moradores.
Também em Rio Casca, a MG-262 ficou totalmente alagada
Rio Casca
Moradores da Zona da Mata ficam ilhados e contam prejuízos
Rio Casca, na Zona da Mata, ficou ilhada devido à chuva que atingiu a cidade ontem. Ruas e avenidas ficaram fechadas, uma ponte caiu e a MG-262, que dá acesso ao município ficou totalmente alagada.
Até mesmo os bombeiros de Ponte Nova, responsáveis pelo atendimento à cidade, não conseguiram chegar ao local. Uma equipe de Manhuaçu teve que seguir para Rio Casca, que tinha pelo menos 18 pessoas aguardando pelo resgate em cima de telhados, segundo informações da corporação.
Os municípios vizinhos de Santa Cruz do Escalvado, Urucânia e Santo Antônio do Grama também sofreram com inundações, conforme a Polícia Militar de Ponte Nova.
De acordo com o governador Fernando Pimentel, um posto de Coordenação de Comando e Controle da Defesa Civil será montado em Rio Casca para auxiliar as cidades da região.
Vítimas
Em Vespasiano, na Grande BH, um homem, de 38 anos, foi arrastado pela correnteza e caiu em um bueiro, no domingo. Ele ainda é procurado pelo Corpo de Bombeiros em um córrego próximo do local.
Da mesma forma, uma criança de seis anos foi arrastada pela correnteza no último sábado, em Perdizes, no Alto Paranaíba. Ela, no entanto, não resistiu e morreu afogada.

Ruas de Lajinha, na Zona da Mata, ficaram alagadas após a forte chuva
Lajinha, Zona da Mata
Prevenção
Segundo o tenente dos bombeiros Pedro Aihara, a intensidade e o volume das chuvas, que têm assustado moradores de BH, já eram esperados pela corporação, que reforçou as campanhas preventivas para este ano.
Ao longo do ano, são feitos mapeamento e gerenciamento de áreas de risco, e orientação e treinamento da população nesses pontos, para que saibam quando devem se preocupar e, possivelmente, deixar as casas. “É preciso que quem mora nesses locais monitore barrancos próximos às residências”, diz.
Para os pontos com risco de alagamento, a indicação é evitá-los. “As inundações evoluem muito rápido, então não se arrisque achando que vai dar tempo. É sempre melhor procurar um local mais alto e esperar a água baixar”.
Caso a pessoa já esteja em uma situação perigosa, dentro do carro, por exemplo, a instrução dos bombeiros é ficar no veículo apenas se a água estiver até a metade da roda. “Se subir mais, o procedimento adequado é sair pela janela e ficar no teto, porque facilita o resgate”, finaliza.
Além Disso
O governador Fernando Pimentel se reuniu nessa segunda (4) com os ministros das Cidades, Alexandre Baldy, e da Integração Nacional, Helder Barbalho, para discutir a situação dos municípios mineiros mais atingidos pelas chuvas nos últimos dias.
Pimentel lembrou que a liberação de recursos depende da decretação de estado de calamidade por parte das cidades. “Tem sempre a possibilidade do recurso (emergencial) a partir do Sistema Nacional de Defesa Civil. Aqueles municípios que decretam situação de emergência, de calamidade, com o reconhecimento rápido, têm acesso a recursos do sistema”, concluiu. Em nota, o governo federal garantiu que: “O intuito é que as ações possam chegar o mais rápido possível a todos os municípios prejudicados pelas fortes chuvas”.
Também em nota, a prefeitura de BH afirma que há um plano de obras, entre 2017 e 2020, com investimentos de R$ 2 bilhões previstos. Desse total, R$ 800 milhões serão em intervenções de grande porte para prevenção e combate a inundações. Além disso, a administração municipal desenvolve ações permanentes de redução de riscos de enchentes e proteção da população contra riscos de desastres durante o ano.