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Ao que tudo indica, o Grupo E será um teste de fogo ao ataque do Brasil



Considerando as seleções cascudas que poderiam pintar no caminho, o Brasil se deu bem no sorteio da Copa do Mundo. Não pegará Espanha ou Inglaterra, sobretudo, assim como escapou de outros adversários “chatos” – México, Dinamarca, Suécia, Croácia e Nigéria, para ficar em alguns. O favoritismo da Seleção no Grupo E é claro. O que não significa que o time de Tite irá golear todos os oponentes. Embora seja superior a todos eles, a equipe Canarinho pode encontrar suas dificuldades pelo caminho. Tendem a ser aqueles típicos jogos em que os brasileiros terão que suar para vencer, e de pouco. Testes de fogo principalmente ao setor ofensivo, já que do outro lado não estarão atacantes tão perigosos assim para desafiar a defesa.
Desde que Tite assumiu a Seleção, marcar gols não tem sido um problema, de uma maneira geral. A arrancada nas Eliminatórias aconteceu muito pela alta produtividade do ataque, embora o rendimento tenha caído um pouco nas últimas apresentações. Todavia, a concepção de jogo não será a mesma que o Brasil costuma encontrar na Conmebol. E a preparação deverá se pautar a confrontos mais físicos, contra defesas sólidas e adversários que podem ameaçar nos contra-ataques.
O jogo mais difícil tende a ser a estreia, contra a Suíça. Não que os alpinos contem atualmente com o seu melhor elenco. Há, sim, peças de qualidade em diferentes posições – e principalmente do meio para trás, considerando a crise para balançar as redes que se viu na repescagem. Em encontro entre duas equipes pragmáticas, os suíços eliminaram a Irlanda do Norte graças a um pênalti inexistente, no único tento em 180 minutos de futebol. Vale lembrar, de qualquer forma, que o caminhão de gols perdidos na Basileia irritou os torcedores, que não se inibiram em vaiar Haris Seferovic.
A Suíça teve aproveitamento excelente em seu grupo das Eliminatórias, ganhando nove dos dez compromissos. O nível da chave, porém, não era dos melhores. E no confronto direto da última rodada, Portugal conseguiu se impor no Estádio da Luz para ficar com a vaga direta. O caminho para a vitória foi pelas pontas, explorando as costas de Stephan Lichtsteiner e Ricardo Rodríguez. Uma estratégia que pode ser útil ao Brasil, ainda mais considerando a presença física que os alpinos costumam ter na faixa central.
Outra seleção europeia do grupo, a Sérvia não teve um desempenho defensivo tão impressionante assim nas Eliminatórias. De qualquer maneira, o time também concentra seus destaques individuais por ali: Branislav Ivanovic, Matija Nastasic, Aleksandr Kolarov. Na cabeça de área, Nemanja Matic domina o setor, talvez acompanhado por Sergej Milinković-Savić, que volta a ganhar espaço na equipe nacional. Falta um goleiro mais confiável, com o veteraníssimo Vladimir Stojkovic seguindo na posição. Mas é um time com bom nível de equilíbrio, especialmente pela experiência à disposição na proteção.
No ataque, a Sérvia possui algumas armas para incomodar um pouco mais. Aleksandr Mitrovic é o principal atacante que o Brasil encarará neste Grupo E, bem municiado por Dusan Tadic. Além disso, há jovens jogadores que podem buscar a afirmação na Rússia, como Andrija Živković e Mijat Gaćinović. Resta saber qual será a linha de trabalho adotada pelos sérvios. Afinal, Slavoljub Muslin, treinador responsável pela classificação, acabou demitido. A mentalidade do novo comandante será fundamental para saber como aproveitar melhor às peças.
Por fim, a Costa Rica é um time que pede adversários escaldados, depois do que aconteceu em 2014. Os Ticos mudaram de comandante, assumindo Óscar Ramírez. Mas os preceitos de Jorge Luis Pinto continuam sendo importantes, com uma equipe que atua basicamente confiando em uma linha de cinco defensores, além de buscar os contragolpes através de Marco Ureña. Funcionou no hexagonal final das Eliminatórias da Concacaf, mas não na última Data Fifa, quando os costarriquenhos foram atropelados em amistoso contra a Espanha, com os passes da Roja abrindo rombos.
O protagonista da Costa Rica, ainda mais, é Keylor Navas. O melhor jogador da seleção na Copa de 2014 continua com moral alto, esteio para que a resistência funcione. Bryan Ruiz permanece como referência, longe de uma boa fase. Pode incomodar com lampejos, nada além. O atacante que mais preocupa é mesmo Ureña, que fez boas partidas recentes contra México e Estados Unidos, mas nem sempre consegue ser constante. Nos contragolpes, outras opções são Christian Bolaños e Joel Campbell.
Em uma visão preliminar, dá para dizer que o Brasil precisará provar algumas de suas virtudes ao longo do Grupo E. O jogo pelas pontas, os tiros de média distância e a inteligência na construção das jogadas pesará. Será uma competição para Neymar e Philippe Coutinho, sobretudo. Mais atrás, a atenção se concentra na cobertura dos laterais e na velocidade de recomposição. A indagação que fica é na capacidade do time em variar o seu jogo a partir do banco de reservas. Neste ponto, as escolhas de Tite serão essenciais para abrir o leque de possibilidades da equipe. Se os amistosos com Inglaterra e Alemanha apresentam à Seleção um tipo de situação que não encarou nas Eliminatórias, o cenário poderá ser diferente também na fase de grupos.

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