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52 milhões de brasileiros vivem na pobreza, diz IBGE

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - divulgou nesta sexta (15) uma nova pesquisa com informações sobre a pobreza no Brasil. O estudo "Síntese de Indicadores Sociais" analisou o mercado de trabalho, a distribuição de renda e a mobilidade social. Um dos dados mostra como a escolaridade dos pais influencia o progresso dos filhos.

Mãe aos 19 anos, futura jornalista aos 34. A Vanessa Vence foi a única da família dela que conseguiu chegar à universidade. O pai, a mãe e as três irmãs não passaram da escola.

“Minha mãe parou de estudar na quinta série e logo em seguida já formou família, casou com e meu pai. E meu pai não conclui o Ensino Médio. Eu tenho três irmãs duas delas tem Ensino Médio concluído e a outra não tem”, conta e estudante.

Metade dos brasileiros conseguiu superar a condição socioeconômica do pai. E menos de 20%  (16,9%) ficaram em uma situação financeira pior. O estudo revela ainda que quanto maior o nível educacional dos pais, crescem as chances do filho ter uma formação melhor. Em cada cem filhos de pais com nível superior completo, setenta (69,6%) se formaram em uma faculdade. Esse número cai para 26,2% quando os pais têm Ensino Fundamental completo ou Médio incompleto.

É exatamente o caso da Vanessa, que se forma no ano que vem. Uma conquista enorme para ela e para o filho, de 14 anos. “Era totalmente fora da minha realidade, então eu me sinto um exemplo para muita gente para o meu filho principalmente. Hoje em dia eu vejo que ele tem um certo orgulho de mim. Ele me disse que queria fazer engenharia”, conta ela.

Desigualdade de raça
A desigualdade também aparece pela cor dos brasileiros. Quando o filho de pai com Ensino Médio incompleto é branco, o número de formados na faculdade é de trinta e dois (31,8%) em cada cem. Mas entre os pretos ou pardos, esse número é menor: dezoito (18,5%) em cada cem.

Nada que impeça a Vanessa de vencer. “Eu me sinto assim muito feliz por não viver de um jeito comum que as pessoas vivem - não querem saber de estudo, não querem saber de ser alguém na vida. Se conformam com a mesmice eu não me conformo com a mesmice. Eu quero vencer literalmente.”

52 milhões de brasileiros vivem na pobreza e mais de 13 milhões na pobreza extrema
Nesse mesmo levantamento, o IBGE revelou o raio-x da pobreza no Brasil em 2016. Usando o critério internacional, do Banco Mundial, estava na pobreza quem ganhava em valores da época, R$ 387 por mês. Mais ou menos o preço de um prato feito por dia em São Paulo.

Era o caso de 25% das pessoas no Brasil, uma em cada quatro.Em outras palavras, são 52 milhões de brasileiros na linha da pobreza. Para comparar, no país do futebol, isso é dezenove vezes a capacidade de público dos cem maiores estádios do Brasil.

Na pobreza extrema (aqueles que ganhavam o equivalente a R$133,72 por mês no ano passado) estavam mais de 13,3 milhões de brasileiros. Quatro vezes a população de Mato Grosso, por exemplo.

E mais. Desde 2014, quando começou a crise econômica no Brasil, o número de pessoas ganhando até um quarto de salário mínimo aumentou 53%.

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