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‘Pecado original’ do Senado foi não ter discutido caso Aécio no Conselho de Ética

Sexta, 29 de Setembro de 2017

por Fernando Duarte

‘Pecado original’ do Senado foi não ter discutido caso Aécio no Conselho de Ética
Foto: Pedro França / Agência Senado
O ocaso do senador Aécio Neves (PSDB), intensificado pelo afastamento do cargo determinado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), parece estar cada vez mais próximo. Ainda assim, o Senado pode dar uma sobrevida ao parlamentar que, em 2014, por pouco mais de 3,4 milhões não foi eleito presidente da República. Nesta quinta-feira (28), o baixo quórum de senadores postergou para a próxima semana a votação que acata ou não o afastamento de Aécio. Segundo os prognósticos corporativistas, há a tendência de que o cargo do tucano seja mantido. Em um momento em que poucos partidos e políticos estão distantes do lamaçal criado pelas relações promíscuas entre o Poder Público e o setor privado, parece existir uma coalizão para salvar a pele dos arrolados com a Operação Lava Jato. E o descrédito da política se intensifica. Aécio pode ser considerado um dos responsáveis por isso. Na última eleição presidencial, o tucano levantou a bandeira de combate à corrupção. Acabou ele mesmo envolto na própria língua. Foi pego em uma ação controlada pela Justiça pedindo R$ 2 milhões para o empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. Teve a irmã e um primo presos e tinha tudo para ser enterrado politicamente. Sobreviveu abraçado ao lado do presidente da República, Michel Temer (PMDB), cujo grupo foi responsável por salvá-lo no Senado em troca de um fôlego a mais para o peemedebista quando chegasse a primeira denúncia contra ele na Câmara dos Deputados. No final de junho, Aécio teve arquivada uma representação contra ele no Conselho de Ética por “falta de provas”. À época, os autores do processo, PSOL e Rede, recorreram, porém, duas semanas depois, foi confirmado que passaria ileso pelo colegiado. Sem punição pela própria Casa, coube ao STF determinar algum tipo de restrição para o tucano. Não poderiam esperar os ministros da Suprema Corte que não houvesse reação dos senadores. A expectativa inicial era colocar a lápide favorável a Aécio ainda esta semana. O adiamento postergou a crise, deu mais tempo para o tucano e na próxima semana teremos uma definição sobre a permanência dele no mandato ou não. Se o Senado tivesse discutido no Conselho de Ética aquela primeira representação contra Aécio, talvez a realidade momentânea fosse hoje. Como disse um senador a este articulista, o “pecado original” não foi ser subjugado pelo Supremo Tribunal Federal. Foi ter deixado passar em branco qualquer medida contra um senador flagrado em relações pouco republicanas.

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