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Voto que livrou Temer da denúncia foi dado às 20h25


Nesse horário, chegou-se ao número de 172 deputados necessários para impedir que a denúncia contra o presidente seguisse ao STF
Às 20h25 desta quarta-feira (2/8), o futuro político de Michel Temer foi sacramentado. Com o voto do deputado Aureo (SD-RJ), chegou-se a 159 votos favoráveis ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que pedia a rejeição da denúncia. Como já havia 12 ausentes e uma abstenção, os governistas reuniram os 172 deputados necessários para impedir que a denúncia seguisse ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Dessa forma, a denúncia criminal apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, será arquivada. A definição veio antes mesmo do fim da sessão e foi comemorada por governistas. Já a oposição reagiu com indignação.
Os momentos de tensão se repetiram ao longo de toda a quarta-feira (2). Por volta das 16h, houve uma confusão no Plenário. Aos gritos, deputados se empurravam e lançavam cartazes uns contra os outros. Cédulas falsas de dinheiro também foram atiradas, como um gesto de protesto, em alusão às emendas parlamentares liberadas por Michel Temer. Antes disso, parlamentares favoráveis e contrários ao governo se revezaram nos discursos.
Primeira sessão
Na primeira sessão do dia, iniciada às 9h, a Câmara chegou a alcançar o quórum mínimo. Porém, houve atraso, por causa de discussões. Como presidente da sessão, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a encerrou e abriu uma nova, às 13h55. O Regimento Interno da Câmara determina que as sessões devem acabar após quatro horas de duração. Portanto, o painel de presença foi zerado e a Câmara teve de atingir novamente o quórum mínimo para iniciar votação.

Acusação “capenga”
Pela manhã, logo após a inauguração dos trabalhos, falaram o relator, o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) — que pedia o arquivamento do caso —, seguido pelo advogado de Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.

O defensor do presidente classificou a acusação como “capenga, chocha” e afirmou que se trata de ficção. O advogado também questionou a falta de diálogo com a sociedade. “A sociedade não foi consultada.”
Mariz de Oliveira alegou que o presidente da República “jamais cogitou” o recebimento da mala de dinheiro de seu ex-assessor especial e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O ex-parlamentar foi flagrado recebendo R$ 500 mil em dinheiro vivo, suposta propina, em São Paulo.
O advogado também criticou a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. O empresário gravou conversa com Temer, no Palácio do Jaburu, em março, fora da agenda oficial do presidente. O defensor afirmou que o registro em áudio teve “deturpação, enxertos, uma série de vácuos”. “Ele (Joesley) deveria estar no banco dos réus, mas está num “altar”, declarou o advogado.
O diálogo gravado por Joesley embasou a denúncia da PGR contra o chefe do Executivo nacional, que teria dado aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — que está preso.
Em seguida, governistas e oposicionistas iniciaram um bate-boca. A base reclamou dos adversários, que já haviam usado a palavra no Plenário, e ainda não tinham presença computada no quórum da sessão. A estratégia da oposição era não fazer o registro, para impedir que a denúncia seja votada antes do fim do dia. Porém, não logrou êxito.
Guerra nos bastidores
O deputado oposicionista Ivan Valente (Psol-RJ) disse que o seu partido entrou com um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar que o Plenário da Câmara analise ainda nesta quarta a denúncia original da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer, e não o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel aprovado na CCJ da Casa e que pede o arquivamento da denúncia.

A base também acusou os adversários de “covardia” por não votarem. A oposição rebateu, alegando que tem direito à obstrução. Também se defendeu alegando que a presença só deveria ser computada a partir do momento do uso da palavra na tribuna, e não em manifestações entre os discursos.

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