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Câmara enterra denúncia contra Temer por 264 votos

Por 264 votos, a base governista conseguiu nesta quarta-feira (2/8) rejeitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. O processo segue para o arquivo da Câmara dos Deputados, ao menos até Temer deixar o Palácio do Planalto – quando perde a inimputabilidade reservada ao presidente da República enquanto no cargo – e puder ser investigado pela Justiça de primeira instância.
O roteiro desenhado pelo governo para a votação da denúncia só surpreendeu mesmo pela capacidade de mobilização da base. Antes do meio-dia, o quórum já demonstrava a força com a qual o governo trataria o processo, colocando 286 deputados no plenário. Ao abrir a votação do requerimento que pedia o encerramento da discussão, líderes da oposição já externavam a falha na estratégia — ao discursarem contra Temer, ajudaram a marcar o quórum que salvou seu mandato.
Ao longo dos últimos dois meses, o governo montou uma operação para garantir cada voto dos mais de 300 possíveis. Só em emendas, que continuaram a ser negociadas no plenário durante os discursos contra e a favor de Temer, o governo empenhou mais de R$ 4,2 bilhões, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).
Dinheiro também foi gasto nos incontáveis almoços e jantares que tomaram conta da agenda dos principais articuladores do presidente, dentre eles Carlos Marun (PMDB-MS), Darcisio Perondi (PMDB-RS), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Beto Mansur (PRB-SP). Só na véspera da votação foram ao menos quatro jantares nas casas de parlamentares ligados ao Planalto. Foram eles também, em doses diárias de entrevistas, quem vocalizaram ao longo de todo o processo a estratégia para arquivar a denúncia, sempre repetindo que não havia provas contra o presidente.
Da estratégia inicial de votar o mais rápido possível antes do recesso, as articulações foram deslocadas para as bases eleitorais. A ideia era aproveitar a aparente calmaria que tomou conta do noticiário político, com a suspensão dos trabalhos no Congresso Nacional, para reforçar argumentos a favor do presidente e convencer de que, com Temer no poder, os parlamentares teriam mais a ganhar do que com ele fora. Chegou-se, inclusive, a cogitar deixar a denúncia adormecida na pauta, sem jamais vota-la, mas a perspectiva de piora no cenário político enterrou a ideia.
Ao fim e ao cabo, diante de todas as benesses oferecidas e com um Michel Temer ligando pessoalmente para os deputados indecisos nos últimos minutos, o mapa de votos foi cristalizando-se pelo arquivamento. E mesmo quem se ausentou, entrou no cômputo da vitória, já que impediram que a oposição atingisse a marca dos 342 no plenário.
Aliado mais rebelde, o PSDB rachou no plenário. Mesmo com quatro ministros na Esplanada, a liderança orientou voto pela abertura da investigação contra Temer e os tucanos entregaram apenas 22 votos a favor do presidente da República. O DEM também apresentou dissidências: 5 votaram a favor da denúncia. Nem o PMDB de Temer votou unido, a despeito da ameaça de expulsão da Executiva Nacional: 6 deputados votaram contra e um se absteve.
A denúncia contra Temer por corrupção passiva segue para o arquivo da Câmara. A PGR promete pedir nova investigação por obstrução à Justiça e organização criminosa.

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