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Escolha de Sofia de ACM Neto inclui uma dúvida cabal: se não for ele o candidato, quem vai ser?

Quarta, 26 de Julho de 2017 - 07:20


por Fernando Duarte
Escolha de Sofia de ACM Neto inclui uma dúvida cabal: se não for ele o candidato, quem vai ser?
Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias
Um aliado do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), resumiu a atual situação do gestor sobre 2018: “Se ele não for o candidato, quem vai ser?”. Desde a reeleição em 2016, 11 em cada 10 pessoas que acompanhavam o dia a dia político da Bahia sabiam que o prefeito teria que fazer uma escolha de Sofia sobre o futuro político dele. Caso confirme uma eventual candidatura a governador no próximo ano, ACM Neto colocaria em risco o apoio de quase 74% da população soteropolitana, que deu a ele a vitória em primeiro turno e com gordura suficiente para outra campanha. Para cumprir o prazo de desincompatibilização, ele teria que deixar a prefeitura apenas 1 ano e três meses depois da posse para o segundo mandato. Para os adversários, o argumento de “abandono” da capital baiana cairia como uma luva e seria um peso ainda maior do que a aliança com o presidente da República, Michel Temer. Aos aliados, seria necessário consolidar o discurso de que a população “clamou” pela candidatura de ACM Neto, um processo de convencimento mais complexo de fazer do que a ideia de “abandono”. Essas são algumas das variáveis que o prefeito leva em consideração para decidir se sai ou não do Palácio Thomé de Souza em abril de 2018. Outra questão é: a ausência de um nome competitivo para fazer contraposição ao governador Rui Costa (PT) e à tentativa do petista de reeleição. O grupo político capitaneado pelo prefeito de Salvador sofre de um mal recorrente no modelo político brasileiro, a centralização em nomes ao invés do fortalecimento de um agrupamento ou partido político. Dentro do DEM – e até mesmo nos partidos que orbitam próximos ao prefeito – não houve a construção de uma opção facilmente identificada como viável para disputar o Palácio de Ondina no próximo ano. Ah, não vale citar o ex-governador Paulo Souto, derrotado nas últimas três eleições, ou o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, que tem ascendência na mesorregião da Princesa do Sertão, mas quando disputou uma eleição majoritária estadual, em 2010, teve menos de 1/3 dos votos dos senadores eleitos naquele ano. Parte dessa falta de novos nomes é responsabilidade do próprio ACM Neto, que precisava se firmar como líder político acima da sombra do antepassado, Antônio Carlos Magalhães, que foi prefeito, governador e terminou a vida como senador da República. Porém não é isoladamente dele a culpa. Outra legenda que transita na oposição de Rui, o PMDB acabou centrado na figura de Geddel Vieira Lima e, após as vinculações recentes com escândalos, perdeu combatividade política para disputar o governo da Bahia. Diferente de Jaques Wagner, que conseguiu tirar da cartola a candidatura de Rui em 2014, a mobilização da oposição não aponta na direção que deve haver um plano B para ACM Neto. Mesmo sendo uma escolha de Sofia – e negando que tenha tomado qualquer decisão –, os indicativos já desenham qual o cenário mais provável para o embate de 2018. Que pode se alterar até que o prefeito decida se sai ou não da prefeitura para concorrer a governador. Este texto integra o comentário para a RBN Digital desta quarta-feira (26), veiculado às 7h30 e com reprise às 12h30.

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