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Cenário nacional afetará disputa Rui x Neto na Bahia


Em campos políticos opostos, Rui Costa e ACM Neto são cotados para disputar o governo
Apesar da provável vitória que o presidente Michel Temer (PMDB) conseguirá na Câmara dos Depurados na próxima quarta-feira, 2, durante a análise da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra ele, o conturbado cenário político nacional permanecerá indefinido, na avaliação de políticos e analistas ouvidos pela equipe de A TARDE.
Esse fator, afirmam essas mesmas fontes, será decisivo na disputa pelo governo da Bahia em 2018, que deverá colocar frente a frente o governador do estado, Rui Costa (PT), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
De um lado, correligionários do petista indicam que a aposta no pleito será associar a imagem de Neto às reformas trabalhista e previdenciária, pautas que, na avaliação deles, “retiraram direitos dos mais pobres”.
Já aliados do democrata deixam escapar, nos bastidores, que ele tentará usar como capital político a administração aprovada pela população na capital baiana e o crescimento do DEM nacionalmente, processo consolidado a partir de uma articulação do próprio Neto e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com parlamentares insatisfeitos de partidos como o PSB.
“O fortalecimento parlamentar do DEM cria naturalmente um polo de aglutinação”, defende, por exemplo, o deputado federal Paulo Azi (DEM), figura próxima a Neto e a Maia.
Do outro lado, o secretário de Relações Institucionais do governo Rui e ex-presidente do PT na Bahia, Josias Gomes, prega que “o desmonte de políticas públicas e direitos consolidados terá reflexo grande na opinião pública” nas eleições.
Segunda denúncia Para o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Paulo Fábio Dantas Neto, um possível afastamento do presidente Michel Temer do cargo, que chegou a parecer favas contadas há algumas semanas, só ocorrerá se houver um fato novo, como uma segunda denúncia prometida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Entretanto, ainda que ocorra a substituição do presidente, pondera o especialista, o prefeito ACM Neto permanecerá na base do governo federal e o governador, na oposição – o que, para o cientista político, influencia no cenário local.
“A influência do governo federal nas eleições sempre é grande na Bahia, historicamente”, lembra Dantas. “Com uma queda de Temer, haverá mudanças de grau na relação de Neto com o Planalto, mas nada tão substancial”, avalia o estudioso.
Ele analisa, porém, que, no caso da ascensão do democrata Rodrigo Maia ao comando do país, Neto poderia sofrer “embaraços” com aliados como o PSDB, que, em troca de apoio nacional, poderia tentar negociar contrapartidas nos estados.
“Mas tudo isso é impossível de se adivinhar”, frisa o cientista político baiano.
Visitas ao interiorPresidente do DEM na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia garante, apesar do cuidado do próprio prefeito da capital baiana em confirmar a candidatura, que Neto disputará o governo baiano.
O trabalho com vistas à eleição em 2018, também afirma o líder partidário, já está sendo feito em viagens ao interior da Bahia. Nessas visitas, de acordo com Aleluia, o prefeito democrata tem conversado com lideranças locais “e com o povo”. “Conversar com prefeito [das cidades do interior] não muda nada, tem que conversar é com o povo”, opina o deputado.
Homem-forte da articulação política de Rui durante os dois primeiros anos de mandato, Josias Gomes evita associar as viagens feitas pelo governador à campanha do ano que vem. Segundo ele, o “tour” pelo interior não é de agora.
“Tem sido assim desde o começo, pois o governador é incentivador da interiorização das políticas”, diz ele.
Conspiração
Para o secretário petista, “é indiferente” quem estará no comando do país em 2018. “O que nós defendemos são eleições diretas, o retorno da normalidade democrática. Por que tirar um golpista e botar outro? Não muda nada, se eles têm o mesmo propósito de reformas contra a população”, critica.
Enquanto isso, a tese de que a ascensão do DEM à presidência, com a figura de Rodrigo Maia, beneficiaria Neto não é bem aceita no Palácio Thomé de Souza . É o que dizem ao A TARDE fontes próximas ao prefeito.
Para evitar acusações de conspiração contra Temer, o democrata baiano tem sido “cuidadoso”, nas palavras de um dos conselheiros. Apesar disso, tem dialogado com Maia, pensando no fortalecimento do partido. “Neto só quer a governabilidade do país e dinheiro para Salvador”, disse o aliado, sob condição de anonimato.
Cotado como possível vice-presidente na chapa que disputará o Palácio do Planalto em 2018, ele descarta a possibilidade, segundo interlocutores. Políticos próximos, entretanto, comemoram o fato, dizendo que “Salvador se tornou vitrine para o DEM no país”.
O deputado Paulo Azi defende Neto como “um nome forte” para a disputa pelo governo do estado no próximo ano. “O prefeito já é uma liderança nacional, reconhecido como grande político, e, em nível estadual, é a principal liderança desse campo que deseja que ele faça na Bahia o que fez na capital”, afirma Azi.
Para o petista Josias Gomes, no entanto, há uma “avaliação enganada” de que figuras locais não serão afetadas eleitoralmente por apoiarem “políticas que não agradam à população”.

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