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Sobre consulta popular Datafolha e o fim de Temer


 | por Luiz Fernando Lima
As pesquisas de opinião são elementos imprescindíveis para democracias sérias. Não se trata de ‘eleger’ algum representante com base em pesquisa, para esta finalidade existe o voto em cabine apropriada, contudo, no que se refere as decisões práticas nos espaços onde é possível e constitucional transformar a consulta em resolução.
 
Dito isso, o levantamento Datafolha deste domingo deixa claro que a população brasileira não está sendo respeitada, consultada, ouvida ou tendo a sua opinião levada em consideração. Oras, para 76% das pessoas que responderam à pesquisa o presidente Michel Temer (PMDB) deveria renunciar diante das revelações feitas pela gravação, sem edição, de Joesley Batista.
 
A sensação de que o atual governo cometeu crimes que têm como consequência mínima a saída do poder é mais que evidente e foi transportada para a realidade dos fatos. Está materializada. Diante deste cenário, os pesquisadores foram além e perguntaram se em caso de não haver a renúncia o impeachment seria a saída. Para 81% destes brasileiros, sim o impedimento é o caminho.
 
O governo insiste em defender que as medidas “antipopulares” vão salvar a economia do país. Outra inversão de gestões temerárias, nas quais se confundem planejamento e execução de ideologia setorizada com remédio para avanço econômico macro. Melhor para quem, cara pálida?
 
Mais que isso, uma pesquisa como essa, se feita de forma séria, deveria pressionar de forma irreversível o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que dê continuidade ao processo de impeachment no fórum adequado na Casa Baixa do Congresso Nacional. Não é aceitável que diante destes dados catalogados o deputado continue ignorando os queres populares.
 
Já no que se refere ao lead, ao topo da matéria da Folha de São Paulo, que é o impresso responsável pela encomenda da pesquisa intramuros (já que a Datafolha é do mesmo grupo), trazer que para 64% da população a Procuradoria-Geral agiu mal ao fechar a delação da JBS é preciso dizer que os pesos estão descompensados.
 
A fundamentação jurídica do instituto Delação Premiada é algo que transita num campo muito mais específico e de difícil análise por quem é leigo. Eu acredito que houve benesses demasiadas aos Batistas, assim como acredito que metade dos denunciados na Lava Jato já deveriam estar atrás das grades e com todos os patrimônios retidos, no entanto, esta tramitação é decidida em fóruns próprios.
 
Mas quando o assunto é Poder eletivo, ou seja, Executivo e Legislativo, a decisão está sempre nas mãos do povo e ele precisa ser ouvido ou deveria. Embora esteja mais do que provado que esta opinião majoritária não encontra formas de se fazer materializar no sistema político brasileiro.
 
O povo sabe o que quer e ainda que não se concorde com a opinião majoritária é preciso fazer valer este desejo. Sob pena de sairmos de um regime democrático e partimos para qualquer outra coisa. Sendo ‘qualquer outra coisa’ esse monstrengo ao qual todos encaram desconfiados e com a sensação de que estão sendo lesados de forma dolosa, ou seja, de modo consciente, violento e perverso.
 
Luiz Fernando Lima é editor do BNews

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